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SÃO PAULO - O dólar registra forte valorização, desde a abertura do pregão

. Os investidores estão se ajustando às novas medidas anunciadas pelo governo ontem para conter a valorização do real. Por volta das 12h15, o dólar comercial tinha um ganho de 1,62%, cotado a R$ 1,691 na compra e a R$ 1,693 na venda. Na máxima do dia, chegou a R$ 1,70. No mercado futuro, o contrato de novembro negociado na BM&F subia 1,10%, a R$ 1,695. Na segunda-feira, o Ministério da Fazenda anunciou duas medidas, que começam a valer hoje. Na primeira, ampliou a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) incidente sobre os ingressos externos para mercados financeiros e de capitais sobe de 4% para 6%. No dia 4 de outubro, essa taxa já tinha sido elevada de 2% para 4%. A segunda atinge as operações de câmbio feitas por estrangeiros que querem investir no mercado futuro. A tributação dos depósitos de margem, que era de 0,38%, subiu para 6%. Esse depósito de margem é uma exigência que a BM&FBovespa faz para o investidor que quer operar os contratos futuros negociados na BM&F. O economista-chefe da Prosper Corretora pondera que, apesar de as novas medidas para o câmbio serem um pouco mais incisivas, o dólar continua sem muita força para subir. "As medidas afetam os investimentos de curto prazo, não os de longo prazo. A perspectiva é boa de crescimento para o Brasil, fato que atrai investidores estrangeiros. Além disso, o fluxo para investimento direto e as captações de empresas devem seguir fortes", explica. Porém, o governo deve anunciar outras mudanças, até mesmo antes da reunião do G-20, se o movimento de queda do dólar persistir, na opinião do especialista. "O governo pode continuar aumentando o IOF para investimento estrangeiro em renda fixa. Pode também limitar a exposição vendida dos bancos", avalia. Uma terceira possibilidade seria ampliar o IOF incidente sobre o investimento dos estrangeiros em Bolsa. Mas, para Velho, adotar fazer isso no momento em que a bolsa de valores se recupera seria um erro. Para o economista, anteriormente, o Banco Central mostrava certa acomodação com o patamar do câmbio, porque o dólar mais fraco estimula as importações e ajuda no controle da inflação. "O BC foi, de certa forma, beneficiado com a queda do câmbio", diz. Por outro lado, o Ministério da Fazenda sempre se atentou mais aos exportadores. Inclusive, o fato de a autoridade monetária comprar mais dólares do que o fluxo superavitário líquido no dia força os bancos a ampliarem sua posição vendida (quando a aposta do agente é na queda do dólar). Entretanto, ao que parece, o dólar já caiu muito, e o Banco Central parece ter entrado na briga da Fazenda por um real menos valorizado. "Agora, é importante que o BC reduza o ritmo de compras de dólares ao máximo do fluxo superavitário líquido no dia", opina. Hoje, por volta das 12h, o BC já realizou um leilão de compra. O estrategista-chefe da CM Capital Markets, Luciano Rostagno, avalia que, ao que parece, o novo nível de suporte defendido pelo governo é de R$ 1,65. Para ele, o mercado pode esperar novas surpresas, se a cotação se aproximar desse piso, o que deve ocorrer se o Fed confirmar aumento no programa de compra de títulos na próxima reunião, no início do mês que vem. Rostagno ressalta, em nota, que o viés para o dólar continua sendo de queda, não apenas no Brasil como também no exterior, por conta da perspectiva de aumento de liquidez por parte de alguns dos principais bancos centrais do mundo, como o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e o BoE (banco central da Inglaterra). Desta forma, as medidas divulgadas ontem devem ter impacto sobre a taxa de câmbio "apenas no curtíssimo prazo", pois são incapazes de reverter um movimento que é global. "Como o foco das aplicações de estrangeiros em renda fixa são os títulos de mais longo prazo, a perda de rendimento decorrente do aumento do IOF acaba sendo diluída mantendo as aplicações atraentes apesar do maior custo", acrescenta. Na agenda de eventos no exterior, o Departamento do Comércio americano divulgou que a atividade de construção de casas nos Estados Unidos subiu 0,3% em setembro, para uma taxa anualizada ajustada de 610 mil unidades, em relação às 608 mil unidades de agosto (dado revisado). O resultado surpreendeu positivamente o mercado, que apostava em queda de 3%. A atividade de construção também teve alta na comparação com setembro de 2009, de 4,1%. No que se refere aos alvarás de construção, por outro lado, houve queda de 5,6% no comparativo mensal, para taxa anualizada ajustada sazonalmente de 539 mil unidades, e decréscimo de 10,9% ante setembro do ano passado. Na China, o banco central elevou as taxas de juro em 0,25 ponto percentual. Com isso, a taxa do depósito de um ano passou de 2,25% para 2,50% e a de empréstimo de um ano passa de 5,31% para 5,56%. A queda observada hoje nos preços das commodities e no euro colabora para a desvalorização do real. Instantes atrás, o euro tinha perda de 1,34%, cotado a US$ 1,3802. Já o índice CRB, que mede o desempenho de uma cesta de commodities, registrava desvalorização de 1,51%. (Karin Sato | Valor)

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