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SÃO PAULO - O mercado interno de câmbio segue descolado do tom positivo que pauta os negócios no exterior

. Por volta das 12h15, o dólar comercial tinha alta de 0,71%, cotado a R$ 1,685 na compra e a R$ 1,687 na venda. No mercado futuro, o contrato de novembro negociado na BM&F tinha valorização de 0,50%, a R$ 1,688. Em Wall Street, os índices Dow Jones e S&P 500 subiam mais de 0,8%. Já o índice CRB, que mede o desempenho de uma cesta de commodities, tinha alta de 0,18%. O euro ganhava do dólar e era cotado a US$ 1,40, minutos atrás. Ontem, o Banco Central apresentou duas medidas para fechar brechas que poderiam ser utilizadas pelo investidor estrangeiro para fugir do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 6% na constituição de garantias na BM&FBovespa para operações com derivativos e as mudanças estão influenciando os negócios desta quinta-feira. Para o diretor de câmbio da Renova Corretora de Câmbio, Carlos Alberto Abdala, o expertise do mercado hoje está na alta e não na queda. Com o clima de ameaça que ficou, a tendência é de que, daqui para frente, a cotação da moeda americana seja puxada para cima no início dos negócios, até a abertura de Wall Street. Se as bolsas americanas abrirem em alta, os operadores podem realizar lucro. "A questão é que os investidores não vão mais ficar amarrados, esperando a abertura dos negócios lá fora. Eles devem ficar na parte de cima", analisa, ao lembrar, porém, que isso não significa que as medidas adotadas pelo governo trouxeram o mercado para outra realidade. É possível que parte dos investidores tenha se questionado: Será que não é hora de realizar, de zerar a posição vendida? É válido citar que a posição vendida (aposta na queda do dólar) dos estrangeiros no mercado futuro de dólar está caindo desde segunda-feira, quando o montante era de US$ 10,6 bilhões. Na terça-feira, a cifra caiu para US$ 8,42 bilhões. Ontem, já somava US$ 8 bilhões. "No primeiro momento, os mais apressados, que têm menos sangue frio, zeraram posições. Mas não foi unanimidade, porque US$ 8 bilhões ainda é um volume grande", explica Abdala. O gerente de câmbio da Fair Corretora, José Roberto Carreira, pondera que os recursos dos investidores estrangeiros que zeraram posições no mercado futuro devem estar no país ainda. Eles podem ter migrado para a renda fixa, por exemplo. "Não faz sentido sair do Brasil e depois retornar pagando IOF mais alto". Para Abdala, alguns investidores podem ter zerado a posição vendida e dobrado a posição comprado. "Isso explica um pouco a alta do dólar no mercado futuro". Carreira, da Fair Corretora, lembra que os bancos não têm interesse na queda do dólar, porque sabem que isso apenas pressionará o governo a adotar mais medidas para conter a valorização da moeda brasileira. O impacto das medidas anunciadas na segunda-feira e ontem não foi tão forte, na opinião do especialista. Ele apostava que o dólar chegaria a R$ 1,70. De qualquer forma, é válido lembrar que o mercado sempre se antecipa e já os agentes têm respostas prontas para possíveis novas medidas do governo. Na agenda de indicadores do dia, o Departamento do Trabalho dos EUA divulgou que os novos pedidos de seguro-desemprego no país somaram 452 mil na semana fechada no dia 16 deste mês, o que representa uma redução de 23 mil em relação à leitura de uma semana antes (475 mil, revista). O resultado foi melhor do que o esperado. Na China, foi divulgada uma série de indicadores. A maioria deles ficou em linha com a expectativa do mercado. (Karin Sato | Valor)

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