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Os investidores estão cautelosos, à espera das eleições para o Congresso americano e da reunião do Federal Reserve

SÃO PAULO - O dólar mudou de direção novamente e, há pouco, registrava alta. Depois de passar parte da manhã com leve ganho, após a divulgação de que as encomendas de bens duráveis nos Estados Unidos subiram mais do que o esperado pelo mercado, a moeda americana passou a operar no território negativo, mas sem muita força. Instantes atrás, porém, os compradores passaram a determinar a formação da taxa.

Os investidores estão cautelosos, à espera das eleições para o Congresso americano e da reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), no início da semana que vem. Por volta das 12h20, o dólar comercial tinha alta de 0,23%, cotado a R$ 1,708 na compra e a R$ 1,710 na venda. No mercado futuro, o contrato de novembro negociado a BM&F registrava alta de 0,32%, a R$ 1,710.

Em Wall Street, os índices Dow Jones e S&P 500 tinham queda de 0,60% e 0,50%, respectivamente. As commodities registram queda. Há pouco, o índice CRB, que mede o desempenho de uma cesta de commodities, perdia 0,67%.

O euro, por sua vez, perdia para o dólar e era cotado a US$ 1,3809. Vale lembrar que, com a proximidade do fim do mês, a cotação do dólar deve oscilar, devido à disputa entre comprados (que apostam na alta do dólar) e vendidos (que acreditam na queda), para a formação da Ptax (média das cotações ponderada pelo volume), que liquida os contratos de futuros.

Os estrangeiros estão vendidos, no mercado futuro de dólar, em US$ 6,7 bilhões, enquanto os bancos estão comprados em US$ 5 bilhões. O clima de cautela que pauta o mercado de câmbio somente deve passar após as eleições do Congresso americano, no dia 2 de novembro, e a reunião do Fed, que está marcada para 2 e 3 de novembro.

No que se refere às eleições ao Congresso, alguns analistas acreditam que, se os republicanos obtiverem a maioria, o presidente Barack Obama pode enfrentar barreiras na aprovação de medidas de estímulo econômico, contribuindo para um viés de alta do dólar. Porém, para o sócio da Beta Advisors, Rodrigo Menon, dependendo do apelo popular das propostas, isso pode não acontecer.

"Principalmente as medidas que podem resultar na geração de empregos não devem ser rejeitadas pelos republicanos", opina. Quanto à reunião do Fed, ninguém mais tem dúvida que a autoridade monetária injetará liquidez na economia, por meio da compra de títulos do Tesouro.

A questão é que ninguém sabe ao certo a quantidade de dólares que será injetada no mercado. Recentemente, alguns indicadores econômicos vieram melhores do que o esperado, levando investidores a apostarem em um montante menor.

Mas Menon lembra que, na sexta-feira, dados importantes sobre a economia americana serão divulgados e os resultados podem alterar essa perspectiva. Outra dúvida do mercado diz respeito à eficácia da promoção de liquidez por parte do Fed. Uma corrente de economistas é contra a ideia, porque acreditam que o impacto seria apenas momentâneo.

Há ainda quem diga que a medida pode levar à alta no preço do petróleo, o que teria um forte impacto sobre o consumo das famílias. O certo é que, com a emissão significativa de dólares, são as moedas dos demais países que sofrem. Uma consequência negativa seria a inflação, mas o governo dos EUA não está preocupado com isso, neste momento. A preocupação, na realidade, é com a deflação.

Pacotes fiscais são igualmente questionáveis. "Adotar uma medida fiscal quando todos os países tentando controlar a dívida pública é complicado. O desafio é encontrar o equilíbrio entre política fiscal e crescimento. É um dilema para os governos estimular o crescimento sem causar um rombo no orçamento. Esse equilíbrio é muito difícil", diz Menon. (Karin Sato | Valor)

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