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Moeda americana fechou a R$ 1,562, em um dos menores níveis desde a adoção do câmbio flutuante

O dólar caiu pelo quarto dia seguido e registrou a menor cotação de fechamento em quase três anos, acompanhando o otimismo global após a aprovação de medidas de austeridade na Grécia .

A moeda norte-americana recuou 0,64% nesta quinta-feira, a R$ 1,562 para venda, na menor cotação desde 1º de agosto de 2008. Abaixo desse nível, o dólar já teria fechado no menor patamar desde janeiro de 1999.

Em junho, o dólar acumulou baixa de 1,14%. No segundo trimestre, a perda foi de 4,23%. E no acumulado do ano a moeda cai 6,24%, a maior queda para o primeiro semestre do ano desde 2009, quando recuou 16,49%, segundo dados da Austin Ratings.

Em relação a uma cesta com as principais divisas, o dólar caía 0,48%, em reação ao voto favorável do Parlamento grego a medidas de austeridade que garantem a continuidade da ajuda internacional ao país. Sem o crédito externo, a Grécia enfrentava o risco iminente de um calote.

A queda do dólar para um dos menores níveis desde a adoção do câmbio flutuante foi influenciada também pela rolagem de contratos futuros e derivativos em vencimento.

Nos próximos seis meses, no entanto, alguns fatores no mercado internacional devem tornar mais difícil a valorização do real.

Para Marcelo Kfoury, economista-chefe do Citigroup no Brasil, o fim do programa de estímulo financeiro dos Estados Unidos e a perspectiva de uma queda das commodities tira combustível da queda do dólar. "Nossa projeção para o final do ano é de R$ 1,60", disse.

Kfoury também não espera que a intervenção do governo no mercado de câmbio volte a ser intensa como no primeiro trimestre de 2011, quando o Banco Central lançou mão de compras à vista, a termo e no mercado futuro, além de medidas fiscais do Ministério da Fazenda, para brecar a queda do dólar.

"O fluxo diminuiu muito", argumentou. A entrada líquida de dólares no primeiro trimestre somou US$ 35,6 bilhões, enquanto no segundo trimestre caminhava para ficar em torno de US$ 5 bilhões, segundo o BC.

Ainda assim, o BC já reforçou as compras no mercado à vista, com dois leilões por dia desde quarta-feira, contra apenas um nas semanas anteriores.

O segundo semestre também marca a adoção de um novo cálculo para a Ptax, taxa de referência do mercado de câmbio e usada na liquidação de contratos futuros e outros derivativos.

A perspectiva é de que a nova taxa deva diminuir o volume do mercado de "casado" (operações combinados entre o mercado à vista e o futuro), com efeito também sobre o mercado à vista. O giro deve encolher e ficar mais compatível com o fluxo real de dólares ao país, avaliam profissionais de mercado. 

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