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Movimento sinaliza que o mercado está reagindo às mais recentes tentativas do governo de impedir a valorização do real

O dólar opera no território positivo nesta quarta-feira, em um sinal de que o mercado está reagindo às mais recentes tentativas do governo de impedir a valorização do real. Isso porque o cenário externo, até o momento, está mais para positivo do que para negativo. A maioria dos dados referentes à economia chinesa apresentou resultados em linha com a expectativa do mercado.

Ontem à noite, o Banco Central (BC) apresentou duas medidas para tentar fechar brechas que poderiam ser utilizadas pelo investidor estrangeiro para fugir do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 6% na constituição de garantias na BM&FBovespa para operações com derivativos.

Por volta das 11h30, o dólar comercial tinha alta de 0,78%, cotado a R$ 1,688 na venda. No mercado futuro, o contrato de novembro negociado na BM&F subia 0,38%, a R$ 1,686. O índice CRB, que mede o desempenho de uma cesta de commodities, tinha valorização de 0,32%, instantes atrás.

Segundo o operador de câmbio da Renascença Corretora, José Carlos Amado, com as medidas divulgadas nesta quarta-feira, "o governo diminuiu um pouco as chances de o investidor especular, o que levou a uma zeragem de posições".

A posição vendida dos estrangeiros no mercado futuro de dólar observa queda desde segunda-feira, quando o montante era de US$ 10,6 bilhões. Na terça-feira, a cifra caiu para US$ 8,42 bilhões. Ontem, já somava US$ 8 bilhões.

"Hoje o mercado deveria acompanhar o bom humor que pauta os negócios no exterior. Mas com o governo fechando o cerco, o pessoal precisa zerar a posição vendida ou pelo menos sair comprando", explica Amado. De acordo com o operador, agora o mercado vai analisar riscos e a atratividade das operações.

"Demora um tempo para analisar o cenário e se ajustar", diz. Entre as medidas apresentadas pelo BC ontem, duas são resoluções do Conselho Monetário Nacional (CMN) para impedir que bancos com operação local emprestem ativos aos estrangeiros para uso como garantias e também tributar ativos dos estrangeiros que já estejam no Brasil e que sejam convertidos para uso como margem na bolsa.

Adicionalmente, o BC determinou que a BM&FBovespa vede a utilização de carta fiança obtida pelos estrangeiros em bancos brasileiros para uso como garantias em operações de derivativos. A primeira resolução (3.914) proibiu a realização de operações de aluguel, troca e empréstimo de títulos, valores mobiliários e ouro ativo financeiro pelas instituições financeiras brasileiras para investidor não residente para operar no mercado de derivativos. Os contratos em vigor continuarão valendo até 31 de dezembro.

Na outra resolução (3915), o CMN determinou a taxação de ativos já existentes no Brasil, como carros e imóveis, por exemplo, que sejam convertidos em dinheiro para uso como margem de garantia. Nesses casos, o investidor terá de fazer o novo contrato de câmbio, chamado de "simultâneo", simulando uma nova entrada de recursos no Brasil.

Há duas exceções. Os ganhos dos estrangeiros com os ajustes diários na bolsa poderão ser aplicados, sem pagar IOF, tanto na constituição de margem de garantia como para a compra de ativos de renda fixa. Por fim, por estar fora do âmbito do CMN, o BC determinou que a BM&FBovespa publicasse a vedação do uso de fiança bancária, isenta do IOF, para o uso como garantia.

Na agenda de indicadores, o Produto Interno Bruto (PIB) da China cresceu 9,6% no terceiro trimestre contra igual período do ano anterior, acima da expectativa do mercado, que era de alta de 9,5%. As vendas no varejo do país asiático também surpreenderam positivamente, com um aumento de 18,3% de janeiro a setembro deste ano.

Por outro lado, produção industrial surpreendeu para baixo e cresceu 13,3% em setembro, na comparação anual. Era esperada alta de 14%. Já o índice de preços ao produtor se manteve em 4,3% em setembro frente ao mesmo mês de 2009, contrariando o consenso, que era de redução para 4,1%. As autoridades chinesas têm demonstrado preocupação com a inflação.

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