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SÃO PAULO - Os negócios são pautados pela cautela, neste início de semana

. O dólar, que passou a manhã no território positivo, mudou de direção e passou a registrar queda. A expectativa é forte de que o governo brasileiro anunciará medidas para impedir que o real continue se valorizando. Também cresce a percepção de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) injetará mais liquidez na economia americana. Por volta das 12h15, a moeda americana tinha leve queda de 0,12%, cotada a R$ 1,664 na venda e a R$ 1,662 na compra. No mercado futuro, o contrato de novembro negociado na BM&F tinha desvalorização de 0,14%, a R$ 1,668. Em Wall Street, há pouco, os índices Dow Jones e S&P 500 registravam alta de 0,53% e 0,40%, respectivamente. De acordo com matéria publicada hoje pelo Valor, o ministro da Fazenda pretende limitar a possibilidade de alavancagem das empresas, bancos e investidores nos contratos de derivativos na Bolsa de Mercadorias e Futuro (BM&F) e pode anunciar medidas com esse objetivo nesta semana. A forma de operacionalização dessa restrição estaria sendo discutida pelo Banco Central. Uma hipótese seria impor barreiras nas aplicações dos investidores no mercado futuro por meio das margens de garantia. O governo pode determinar à BM&F que duplique ou triplique as garantias. Para o gerente de câmbio da Treviso Corretora de Câmbio, Reginaldo Galhardo, a alteração nas margens de garantia seria uma forma de coibir quem está apostando como especulador no mercado. Mas medidas adotadas pelos países isoladamente, no combate à queda do dólar, têm alcance limitado "A melhor saída seria articular uma ação conjunta. Não é por decreto que vamos ter um dólar alto", diz. "O Japão, por exemplo, adotou uma série de medidas que não adiantou nada". Nesta manhã, o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, sinalizou que é importante atuar nas duas frentes: no plano individual e nas discussões multilaterais, nas quais, em sua opinião, o Brasil está desempenhando papel ativo. Questionado sobre as possíveis medidas para frear a valorização do real, o presidente do BC apenas afirmou que "qualquer decisão será anunciada no devido tempo, se existir". Porém, comentou que o excesso de fluxo de capitais para o país é preocupante, já que isso cria a hipótese de formação de bolha. Ainda segundo ele, os Estados Unidos planejam a expansão de sua base monetária, porque os estímulos monetários já estão no limite. Ele lembrou que o fato de os juros americanos estarem em patamares muito baixos gera "distorções graves". "É um remédio que tem efeitos colaterais muito intensos, que são sentidos particularmente pelas regiões do mundo que estão bem. O Brasil é uma delas, mas não é a única. Esse não é apenas um fenômeno de emergentes, como parece à primeira vista. Países como Suíça e Japão também têm sido destinatários de grandes investimentos", explicou o presidente do BC. Os comentários foram feitos durante um evento promovido pela Associação Viva o Centro. Para Galhardo, seria um mérito para o governo atuar para impedir a queda acentuada do dólar antes do segundo turno das eleições presidenciais, em 31 de outubro. "Isso demonstraria pouca influência política na economia". Porém, em sua opinião, medidas mais agressivas devem ser anunciadas somente após a definição sobre o próximo presidente. Ainda segundo o gerente de câmbio, as eleições estão influenciando pouco o mercado de câmbio interno, neste momento. Um sinal disso seria a falta de uma preocupação entre os agentes de zerar suas posições vendidas. O próprio mercado não acredita na queda do real, assim como parece não apostar na vitória do candidato do PSDB, José Serra. Ao menos não por enquanto, já que as pesquisas de intenção de voto não mostram o tucano na frente da candidata petista, Dilma Rousseff. "Para mim, se as eleições estivessem influenciando, o dólar estaria em um patamar mais alto, em uma taxa que sabemos que não deveria estar, por exemplo, em R$ 1,80", diz. Na agenda de indicadores americanos, o Federal Reserve divulgou que a produção industrial nos Estados Unidos diminuiu 0,2% em setembro, em relação a agosto. O dado contrariou a expectativa do mercado, de aumento de 0,2%. O segmento manufatureiro apresentou queda de 0,2% em sua atividade e o de serviços essenciais, de 1,9%. Na contramão, a produção das minas aumentou 0,7%. Para o terceiro trimestre como um todo, a produção industrial americana avançou a uma taxa anual de 4,8%, seguindo incremento de cerca de 7% tanto no primeiro como no segundo trimestre de 2010. Quanto à utilização da capacidade da indústria, o indicador saiu de 74,8 em agosto para 74,7 em setembro. O dado fraco reforça a expectativa de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) anunciará medidas de estímulo à economia. Porém, a decisão não deve ser anunciada antes do próximo encontro do BC americano, que acontecerá nos dias 2 e 3 de novembro. No mercado de câmbio externo, o euro tinha queda de 0,20%, instantes atrás, cotado a US$ 1,3935. (Karin Sato | Valor)

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