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SÃO PAULO - O dólar mudou de direção e começou a subir, mas não é possível traçar uma tendência definida, neste momento

. Conforme explicou o diretor da Corretora Vision, Mauro Araujo, na ausência de rumores de que o governo adotará novas medidas para conter a valorização do real, os agentes operam com mais tranquilidade neste pregão. Por volta das 12h15, o dólar comercial registrava ligeira alta de 0,29%, cotado a R$ 1,704 na compra e a R$ 1,706 na venda. No mercado futuro, o contrato de novembro negociado na BM&F subia 0,38%, a R$ 1,704. Vale citar que hoje o Banco Central já promoveu um leilão de compra de dólares no mercado à vista, por volta das 11h20. Em Wall Street, os índices Dow Jones e S&P 500 tinham desvalorização de cerca de 0,3%, há pouco. Por aqui, o Ibovespa subia 0,49%. O euro, que operava estável ante o dólar nesta manhã, passou a cair de forma acentuada, e agora já vale US$ 1,3860, desvalorização de 0,83%. Já o índice CRB, que mede o desempenho de uma cesta de commodities, registrava estabilidade. A tendência é que o dólar ande de lado nesta e nas próximas sessões, em clima de cautela, por conta da possibilidade de o governo intervir no câmbio e pela expectativa de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) injete mais liquidez na economia. "Dependendo das notícias lá fora, ainda hoje, o dólar pode voltar a cair, mas não deve tomar uma direção firme", analisa Araujo. O sócio da Beta Advisors, Rodrigo Menon, também diz que não é possível traçar uma tendência de curto prazo. Porém, no médio prazo, ele ressalta que não houve uma mudança significativa e o cenário continua sendo de enfraquecimento do dólar a nível mundial, com as moedas commodities subindo cada vez mais. Isso não deve mudar nem com novas medidas governamentais. "Todas as possíveis medidas são paliativas", afirma, ao apostar que os fundamentos econômicos irão prevalecer. Ontem, os investidores repercutiram mais a possibilidade de fim da isenção do Imposto de Renda para estrangeiros que investiam em títulos públicos brasileiros. A calmaria no mercado veio somente depois de o ministro da Fazenda, Guido Mantega, negou que essa medida poderia ser tomada. Mas os agentes não estão totalmente convencidos, uma vez que, ontem mesmo, Mantega afirmou que o governo fará novas ofertas de bônus em reais no exterior, ainda neste ano. A reabertura do bônus BLR 2028 na semana passada, a primeira desde 2007, representa o início de uma série de emissões. Nessa operação, foram vendidos R$ 1 bilhão nos Estados Unidos e Europa e R$ 100 milhões na Ásia. O BRL 2028 pagará juros de 10,25% ao ano e taxa de retorno ao investidor de 8,85% ao ano. O objetivo do governo é manter o interesse do investidor estrangeiro pelos títulos brasileiros de longo prazo, sem que seja necessário o ingresso de dólares no país. Além disso, o ministro voltou a fazer ameaças, ao comentar que, entre "as armas" de que dispõe para combater "a guerra cambial", a de "grosso calibre" ainda não foi usada. Ele disse ainda que espera não ter que adotar novas medidas internas, de forma isolada dos demais parceiros internacionais. Menon, da Beta Advisors, acredita que, no curto prazo, o mercado não verá essa medida de "grosso calibre" ser usada. Isso porque uma medida de forte impacto pode afastar um grande número de investidores estrangeiros, o que é arriscado, já que é possível que, futuramente, o dólar volte a se fortalecer. "O governo não pode simplesmente travar o mercado. E se depois vier um equilíbrio mundial", questiona. Entre os eventos desta terça-feira, a Standard & Poor´s (S&P) revisou a perspectiva de nota de crédito do Reino Unido de negativa para estável e confirmou o rating soberano em AAA. Para a agência, o governo de coalizão mostrou um grau de coesão em colocar as finanças públicas do Reino Unido em um caminho mais sustentável. (Karin Sato | Valor)

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