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Valorização da moeda norte-americana acompanha o sentimento de aversão ao risco dos investidores

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A aversão ao risco que derrubou as Bolsas de Valores e os preços de commodities nesta quarta-feira também deu impulso ao dólar no mercado de moedas. Mas a moeda norte-americana valorizou-se bem mais ante o real do que em relação a divisas de outros países exportadores de commodities, a exemplo do Brasil. O ajuste positivo de preço aqui foi acompanhado de um forte aumento de negócios. O fluxo cambial aparentemente positivo pela manhã foi absorvido pelo Banco Central, via leilão de compra à vista. Além disso, houve demanda preventiva de moeda por tesourarias de bancos, disse o gerente da mesa de derivativos de uma corretora.

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O dólar comercial encerrou a quarta-feira em alta de 0,56% cotado a R$ 1,827. O dólar à vista fechou na cotação máxima no balcão, a R$ 1,8280, alta de 0,83%; a mínima mais cedo foi de R$ 1,8170 (+0,22%). Na BM&F, o dólar spot avançou 0,82%, a R$ 1,8257. A principal razão apontada pelos profissionais do mercado local para a firme valorização do dólar ante o real é que as medidas já adotadas e as insistentes ameaças do governo com novas ações mudaram as expectativas de que poderia haver uma avalanche de recursos estrangeiros para o País no futuro próximo.

Na quarta semana deste mês, o fluxo cambial efetivo já foi negativo em US$ 306 milhões . "O impacto mais forte das medidas adotadas até agora não é tanto sobre a formação de preço do dólar, mas sim sobre as expectativas do mercado. Quando se forma consenso de que haverá menor ingresso de capital no País e que o governo e o BC continuarão atuando com novas ações e leilões, a fim de enxugar o fluxo favorável e evitar a apreciação do real, o próprio mercado ajusta posições demonstrando uma postura defensiva", explicou um operador de tesouraria de um banco.

Nesta quarta-feira, o fluxo cambial foi positivo pela manhã, motivando a realização do leilão de compra do BC, segundo as fontes consultadas. Como essa operação de compra "secou" a oferta de moeda à vista após a intervenção do BC e houve demanda por moeda pelas tesourarias de bancos à tarde, o preço do dólar sofreu correção adicional na sessão vespertina.

Outro indutor do avanço interno foi a manutenção da alta da moeda no exterior durante à tarde. Por lá, os indicadores norte-americanos piores do que o esperado e preocupações renovadas com a economia chinesa estimularam a busca de proteção no dólar. Nos EUA, as encomendas de bens duráveis subiram 2,2% em fevereiro, abaixo da alta de 3% prevista pelos analistas; e os estoques de petróleo do país subiram mais do que o previsto: 7,102 milhões de barris na semana encerrada em 23 de março, para 353,39 milhões de barris, muito acima do aumento de 2,2 milhões de barris esperado.