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Câmbio interno está "fugindo da lógica", mas valorização do real pode estar atrelada ao fluxo de recursos ao País, diz operador

O dólar continua perdendo para o real nesta sexta-feira, mas a queda já não é tão acentuada quanto pela manhã, num movimento que os próprios operadores têm dificuldade para entender.

"Não está dando para analisar o comportamento do real no dia a dia, porque o câmbio interno está fugindo da lógica dos outros mercados", disse um operador.

"Isso pode estar acontecendo por conta da interferência do governo nos derivativos cambiais, porque ele travou muito o mercado", acrescentou, referindo-se à medida que institui pagamento de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) na variação da posição vendida dos agentes.

Por volta das 12h35, o dólar comercial recuava 0,43%, cotado a R$ 1,614 na compra e a R$ 1,616 na venda. Na mínima, atingiu R$ 1,609.

No mercado futuro, o contrato de setembro negociado na BM&FBovespa registrava queda de 0,79%, a R$ 1,625. Na mínima, chegou a R$ 1,617.

A valorização do real vista neste pregão provavelmente está atrelada ao fluxo de recursos ao País, avaliou outro operador.

Seja como for, existe um consenso no mercado de que o governo está comprometido a conter a queda do dólar. "O BC hoje já fez um leilão (de compra de dólares no mercado à vista). Parece que o nível defendido é de R$ 1,60", disse um dos traders consultados.

Outra dúvida diz respeito à recente redução da posição vendida dos investidores estrangeiros em derivativos cambiais. Os últimos dados divulgados pela BM&FBovespa dão conta de que os não residentes estão vendidos em US$ 447,9 milhões em dólar futuro e US$ 14,59 bilhões em cupom cambial (DDI).

Ao que parece, essa movimentação pode estar atrelada tanto à instabilidade da economia mundial quanto à atuação do governo no mercado de câmbio.

Por fim, hoje foram divulgados dados econômicos divergentes nos Estados Unidos. As vendas no varejo do país subiram 0,5% entre junho e julho, praticamente em linha com as expectativas (alta de 0,6%).

Além disso, o Departamento do Comércio americano informou revisão do desempenho do comércio varejista em junho - houve crescimento de 0,3% em relação a maio e não de 0,1% como informado originalmente. Isso foi visto de forma positiva pelo mercado.

Por outro lado, a pesquisa da Universidade do Michigan mostrou que o índice de confiança do consumidor nos EUA saiu de 63,7 em julho para 54,9 em agosto. Foi a leitura mais baixa desde maio de 1980, apontou a Bloomberg News.

Estimativas de 69 economistas ouvidos pela agência oscilavam de 59 a 66,5. Em Wall Street, os investidores se mostram mais propensos à compra de ativos de risco, de forma que as bolsas de valores estavam com firme alta, há pouco. No mercado interno, o índice Bovespa avançava 0,20%, aos 53.449 pontos. No mercado de câmbio externo, o Dollar Index, que mede o desempenho ante seis divisas, operava praticamente estável, aos 74,60 pontos. O euro tinha leve recuo de 0,06% em relação à moeda americana, a US$ 1,421.

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