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Expectativa de que o Fed injete recursos na economia americana favorece a desvalorização da moeda

SÃO PAULO - O dólar segue em queda, sob influência da perspectiva entre os agentes do mercado de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) injetará liquidez na economia, conforme sinalizou a autoridade monetária na ata de sua última reunião. Por volta das 12h05, o dólar comercial registrava declínio de 0,54%, cotado a R$ 1,655 na compra e a R$ 1,657 na venda, mínima do dia até o momento.

No mercado futuro, o contrato de novembro negociado na BM&F registrava acentuado declínio de 0,89%, a R$ 1,663.

O diretor da Global Hedging, Wolfgang Walter, explica que a queda do dólar não é um movimento restrito ao Brasil. "Hoje o dólar está perdendo valor mais ou menos por igual em todo o mundo", avalia. Segundo Walter, existe uma divisão no mercado sobre quais seriam exatamente as novas medidas que o Fed deve adotar e o tamanho delas.

"Há rumores no mercado que dão conta de que a autoridade monetária injetará até US$ 1 trilhão na economia. Mas o presidente do Fed, Ben Bernanke, tem se mostrado ponderado. Não acredito que ele tomaria medidas que prejudicariam fortemente o resto do mundo em troca de pequenos ganhos nos Estados Unidos", opina o especialista.

"Provavelmente, o Fed vai injetar apenas o suficiente para dar um apoio moral à economia, para que as pessoas se sintam um pouco mais confiantes para consumir e as empresas para investir", acrescenta.

Além disso, para o diretor da Global Hedging, a decisão de despejar mais dólares no mercado não necessariamente resultará no aumento do consumo das famílias americanas ou das contratações nas empresas. "Colocar muita liquidez onde já existe liquidez pode ser perigoso. O acesso ao crédito já aumentou, em comparação com o quadro visto durante a crise. E inundar o mercado de crédito barato pode gerar uma nova bolha. Por isso, acredito que o Fed será comedido", explica Walter.

Outro fator pode pressionar Bernanke e resultar em uma injeção menor de dólares no mercado: a reunião de ministros e chefes de estado do G-20 que ocorre na Coreia no fim do mês e em novembro, respectivamente.

O FMI já se comprometeu a fazer um exame das cinco maiores economias, incluindo China e Estados Unidos, para apontar como as políticas de cada país afetam a taxa de câmbio dos demais países.

Para o diretor da Global Hedging, uma solução mais eficaz para o governo americano do que ampliar a liquidez seria realizar grandes obras de infraestrutura, de maneira a gerar empregos e movimentar a economia.

Em Wall Street, há pouco, os índices Dow Jones e S&P 500 operavam em alta. Além da expectativa de o Fed anunciar medidas expansionistas, os investidores repercutem os resultados corporativos de empresas americanas, como o da instituição financeira JPMorgan Chase, que surpreendeu positivamente os analistas.

As commodities operam em alta. Instantes atrás, o índice CRB, que mede o desempenho de uma cesta de commodities, subia 0,70%. No mercado de câmbio externo, o euro tinha valorização de 0,48% ante o dólar, cotado a US$ 1,3939. (Karin Sato | Valor)

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