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O dólar comercial registra queda na manhã desta quinta-feira. Às 10h27, a moeda norte-americana era vendida a R$ 1,756, em baixa de 0,90%. Na quarta-feira, o dólar fechou em alta de 0,80%, cotado a R$ 1,773 para venda, maior patamar desde 2 de outubro.

Os dados do Produto Interno Bruto (PIB) referentes ao terceiro trimestre, mostrando crescimento de 1,3% ante o período anterior, frustraram o mercado, que previa alta de 1,6% a 2,9%, com mediana de 1,95%. Decepcionaram ainda mais o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que esperava uma taxa que, anualizada, apontasse expansão de mais de 8%, quando o resultado efetivo representa avanço de 5,3%.

Ainda assim, os operadores do mercado de câmbio acreditam que a taxa divulgada na manhã desta quinta-feira não vai interferir de forma significativa nos negócios. "O dado do PIB hoje significa que o crescimento de 2010 ficará mais próximo de 5% e não de 6% a 6,5% como se estimou, na onda recente de euforia. Ainda assim, teremos o maior crescimento da America Latina e continuaremos melhor do que os outros países", disse o economista-chefe do banco alemão WestLB, Roberto Padovani.

A queda do dólar ante o real neste início de manhã representa um ajuste em relação à forte alta que se acumulou nos últimos pregões e que espelha uma mudança de posição dos principais investidores do câmbio no mercado brasileiro. Do final da semana passada para cá, os investidores estrangeiros e os fundos inverteram a mão, passando de posições vendidas (aposta na baixa do dólar) para compradas (aposta na alta da moeda norte-americana).

Os estrangeiros, que estavam comprados em cerca de 10 mil contratos futuros de dólar, passaram a vendidos em 80 mil. Os fundos, que na semana passada estavam vendidos em 17 mil contratos, aumentaram essa posição para 50 mil e inverteram rapidamente, encerrando o pregão de ontem praticamente zerados. Já os bancos fizeram o contraponto, saindo de vendidos em 42 mil contratos no início da semana para vendidos em 115 mil contratos na quarta-feira.

Essa alteração está ligada à mudança de perspectiva sobre o cenário internacional. A semana foi de piora com rebaixamento na classificação de risco da Grécia e da Espanha, alertas sobre os déficits dos Estados Unidos e Reino Unido e dados fracos nas economias do Japão e Alemanha. "Houve uma piora no sentimento de aversão ao risco que explica esse movimento, mas o Brasil continua bem", diz Padovani.

Para Alberto Felix de Oliveira Neto, do banco Indusval, a mudança de posições no mercado futuro acumulada nos últimos pregões é grande e o espaço para que o movimento continue diminuiu. Por isso, ele avalia que o ajuste da abertura pode continuar pelo restante do dia, a menos que haja uma notícia negativa nova.  

Bolsas asiáticas

As bolsas da Ásia tiveram resultados mistos nesta quinta-feira. Houve mercados que sofreram com a realização de lucros, enquanto outros foram beneficiados por fatores locais e pela ligeira recuperação de Wall Street.

(Com Agências)

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