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Mercados mostram cada vez mais nervosismo em relação à crise na Grécia

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O dólar comercial abriu o dia em alta de 0,75%, negociado a R$ 1,611 no mercado interbancário de câmbio. No pregão de ontem, a moeda americana avançou 1,07% e foi cotada a R$ 1,599 no fechamento. Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), o dólar à vista abriu em alta de 0,74%, a R$ 1,6119.

À discordância que existe na União Europeia e no Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre uma solução para a Grécia se juntou, desde ontem, uma crescente insegurança política no país, que compromete as medidas necessárias para um ajuste da economia. Os mercados mostram cada vez mais nervosismo em relação à crise. A avaliação de analistas no Brasil é de que um eventual não pagamento de da dívida (default) na Grécia está parcialmente precificado pelos ativos, mas ainda há a preocupação maior, que é o possível contágio em outras nações do bloco.

"A preocupação do mundo é a contaminação da crise da Grécia para o restante da Europa e do mundo. Existe fragilidade na economia dos Estados Unidos e os investidores começam a olhar com mais atenção também para a China e as dificuldades que o país está tendo para administrar a inflação. A situação toda é complexa", disse um especialista.

Em sua avaliação, se esses temores continuarem crescendo e contaminando o ambiente internacional de negócios, a dinâmica do mercado doméstico de câmbio tenderia a experimentar uma mudança. "Estamos começando a ver uma preocupação maior com a situação econômica global e, se isso se consolidar, aqueles que têm compromissos externos a honrar podem querer se antecipar, gerando demanda por dólar. Também pode haver um movimento de zeragem nas posições vendidas em dólar em decorrência do aumento da aversão ao risco", acrescenta.

Ainda assim, esse profissional do mercado doméstico avalia que o risco interno baixo, o diferencial de crescimento favorável ao Brasil e as taxas de juros altas seguram a atratividade do País no momento. Outro experiente operador de câmbio avalia que a situação da crise grega deve ser monitorada no dia a dia e ainda é cedo para se afirmar que o default do país é a situação mais provável. Ainda assim, ele concorda que essa possível ruptura está parcialmente precificada e que a preocupação maior dos mercados passou a ser um provável contágio disso para outras nações do bloco e de fora dele.

Hoje, o comissário econômico da União Europeia, Olli Rehn, disse em nota que os ministros das finanças da zona do euro (Eurogrupo) irão concordar sobre a liberação da próxima parcela de 12 bilhões de euros para a Grécia, o que também já teria a concordância do FMI. Os recursos são parte do empréstimo de 110 bilhões de euros concedido no ano passado.

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