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Moeda reagiu às medidas do governo para conter a valorização excessiva do real e, por volta de 17h, era cotada a R$ 1,805

O dólar acelera a alta frente ao real na abertura dos negócios desta semana, após o governo ter lançado mão de mais uma medida para taxar dinheiro estrangeiro que entra no país e, assim, tentar conter a valorização do real. Por volta de 17h00, o dólar comercial operava em alta de 1,17%, cotado a R$ 1,805 na compra e R$ 1,805 na venda.

É o maior patamar alcançado pela moeda americana em dois meses. A última vez em que o dólar bateu na casa dos R$ 1,80 foi em 11 de janeiro, quando encerrou cotada a R$ 1,801.

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Em medida anunciada no Diário Oficial de hoje, o governo estendeu a alíquota de 6% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para empréstimos externos com prazo até cinco anos (1,8 mil dias). A nova regra vale para operações feitas já a partir de hoje. Esta é a segunda vez em menos de dois meses que o governo altera esta regra. Desde o dia 1º de fevereiro deste ano, esta taxação incidia sobre empréstimos de até três anos. A medida é mais uma ação por parte das autoridades brasileiras para conter a valorização do real.

Na sexta-feira, a moeda americana terminou o dia com ganho de 1,31%, a R$ 1,78 na venda, sendo que no acumulado da semana a divisa ganhou 3,78%. Para Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora de Câmbio, a nova medida deve ter pouco impacto direto na cotação da moeda, mas evidencia a política do governo de usar suas ferramentas para interferir no mercado. "A maioria dos empréstimos e captações externas acontecem em prazos mais longos do que isso", disse.

Um exemplo do que é defendido por Galhardo vem do noticiário do dia: o Itaú Unibanco prepara uma emissão externa de títulos de dez anos em dólar a ser realizada nesta segunda-feira. A captação deve ser de ao menos US$ 500 milhões e ter vencimento em 2022, com taxa de retorno de 5,875%.

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Segundo o gerente da Treviso Corretora, a ampliação do IOF vem também ocorre em um momento em que a economia americana demonstra sinais de melhora e volta a atrair investidores de diferentes partes do mundo, o que faz com que o dólar se valorize paralelamente.

Para José Carlos Amado, operador de câmbio Renascença Corretora, a medida não pega o mercado de surpresa, mas faz com que tanto investidores quanto exportadores passem a operar de forma mais cautelosa. "O governo chegou agora no patamar que queria, e a moeda deve operar nesta linha nos próximos dias", disse ele.

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