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Moeda nunca mais terá a força que tinha antes da crise financeira de 2008, afirma especialista. Dólar fechou a R$ 1,5531

O Real deve continuar em sua trajetória de valorização sobre o dólar este ano. Ontem, a moeda dos Estados Unidos atingiu a menor cotação frente à brasileira em quase doze anos . Fechou a R$ 1,5553, próximo dos R$ 1,54 de fechamento de 19 de janeiro de 1999.

Para especialistas, permanecem as chances de que a moeda atinja R$ 1,50 até o fim de 2011 . Com isso, seria a menor cotação desde 15 de janeiro de 1999, quando a moeda atingiu R$ 1,47. Não satisfeitos com a baixa de ontem, os investidores decidiram vender a moeda dos EUA novamente. Com isso, o dólar comercial fechou em baixa de 0,14%, para R$ 1,5531.

Dólar continua caindo na comparação com o real
Reprodução
Dólar continua caindo na comparação com o real
O Banco Central (BC) continuou atuando para tentar segurar a queda, e realizou no meio da tarde um segundo leilão para compra de dólares no mercado à vista de câmbio. Segundo comunicado do Departamento de Operações de Reservas Internacionais (Depin) do BC, a atuação teve início às 15h53 e termina às 15h58 horas. A autoridade monetária já tinha tomado dólares por volta das 12h30, pagando R$ 1,5524.

Uma combinação de juros altos no Brasil, atratividade das economias emergentes e situações recessivas nos países desenvolvidos sustenta a equação que deixa nossa moeda mais forte, segundo economistas. Para uns, a valorização é circunstancial. Para outros, é estrutural e vai continuar por alguns anos. “O fato é que o dólar nunca mais terá a força que tinha antes da crise financeira de 2008”, diz José Francisco Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator.

Para ele, parte dessa força do Real é inevitável e vem da melhoria das condições econômicas do país. A outra, no entanto, é temporária. “Os Estados Unidos estão com juros reais negativos há 2,5 anos”, afirma. “Para assumir que a moeda continuará se desvalorizando nos próximos anos, precisamos admitir que Estados Unidos e Europa não vão mais se recuperar”, diz.

Alex Agostini, economista-chefe da Austin Asis, tem uma visão diferente. Ele também acredita no piso de R$ 1,50 para este ano, mas vê grandes chances de a valorização do real continuar por até 10 anos. “Não há piso para o câmbio”, diz.

Segundo ele, o jogo de forças econômicas no mundo mudou de vez, com peso favorável aos países emergentes. Os crescimentos mais fortes dos Produtos Interno Brutos (PIB) e a corrente de comércio mais favorável aos emergentes justificam essa mudança. “É difícil que os desenvolvidos retomem o poder que tinham na década de 1980”, acredita.

José Góes, economista-chefe da WinTrade, também espera um dólar testando os R$ 1,50 no curto prazo. Mas ele acredita que a cotação não permanecerá nesse patamar por muito tempo. “A moeda está muito valorizada. O país está ficando caro e, com a inflação alta, seus produtos custam cada vez mais.”

Essa conjuntura, lembra, traz problemas cada vez maiores de conta corrente e balança comercial, o que deve levar o governo a agir. Mas os economistas não acreditam que o governo tomará medidas drásticas para conter a cotação da moeda. A atuação continuará sendo pontual.