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Atuações do Banco Central foram insuficientes para conter o declínio das cotações devido à pressão externa sobre a moeda

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O dólar no mercado doméstico caiu pelo terceiro dia útil consecutivo e para a menor cotação desde 1º de setembro de 2008, diante do apetite dos investidores por aplicações de risco. O dólar comercial fechou na mínima do dia, a R$ 1,652 em baixa de 0,84% no mercado interbancário de câmbio. No mês, a moeda acumula queda de 2,36% e no ano, -5,22%. Na BM&F, o dólar à vista cedeu 0,66% para R$ 1,655. O euro comercial cedeu 0,17% a R$ 2,3060.

Os investidores migraram do dólar para ações e commodities após a ata da reunião do Fomc de 21 de setembro, divulgada ontem em meio ao feriado no Brasil, reforçar a convicção no mercado de que novas medidas de flexibilização monetária serão adotadas pelo Federal Reserve (Fed, banco central americano) para acelerar o ritmo de crescimento do país. Os vigorosos balanços trimestrais da Intel e JPMorgan, o aumento das importações de petróleo e minério de ferro pela China em setembro e a produção industrial na zona do euro melhor do que o esperado em agosto também pesaram para o persistente declínio da moeda.

Os comentários nas mesas de negócios de que a pesquisa Ibope, que será divulgada hoje à noite, poderá apontar um empate técnico entre os candidato à Presidência Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) não fizeram preço no câmbio. A explicação das fontes consultadas é a de que, a princípio, o próximo presidente não deverá ter muito espaço para adotar medidas inesperadas no câmbio por causa da tendência internacional de desvalorização do dólar. No caso de Serra eventualmente vencer a eleição, também teria minoria no Congresso e dificuldade para negociação e aprovação de mudanças cambiais.

Segundo operadores, o Banco Central manteve os dois leilões de compra de dólar para enxugar o fluxo cambial positivo, mas novamente essas atuações foram insuficientes para conter o declínio das cotações devido à pressão externa sobre a moeda. No primeiro leilão a taxa de corte foi fixada em R$ 1,6567 e, no segundo, em R$ 1,6537.

Em Nova York às 16h39, o euro subia para US$ 1,3960, de uma máxima intraday de US$ 1,4003 e de US$ 1,3914 ontem no fim do dia. De acordo com fontes ouvidas pela Dow Jones, o euro encontrou apoio no contraste entre a probabilidade de mais medidas de estímulo econômico nos EUA e a disponibilidade da zona do euro para acabar com as medidas emergenciais de apoio. Nesse horário, o dólar subia levemente para 81,76 ienes, de 81,74 ienes ontem. Mais cedo, o dólar australiano retomou a alta na direção da paridade com o dólar norte-americano e atingiu o maior nível em 27 anos, a US$ 0,9931.

Câmbio turismo

Nas operações de câmbio turismo, o dólar fechou em queda de 0,73% e foi negociado em média à R$ 1,76 na ponta de venda e a R$ 1,663 na compra. O euro turismo fechou com perda de 0,16% a R$ 2,453 (venda) e R$ 2,30 (compra).

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