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BC dos EUA decide manter juros em 0,25% e prevê melhora no mercado de trabalho

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Se depender do exterior, o dólar retomará hoje a trajetória de alta em relação ao real, interrompida ontem à tarde por um movimento de arbitragem entre câmbio e juros. A moeda norte-americana sustenta valorização generalizada depois da decisão do Federal Reserve de manter a taxa básica de juros em 0,25% e suas análises positivas para a economia dos Estados Unidos, principalmente no mercado de trabalho. Isso consolidou a percepção de que a recuperação da maior potência do planeta está em andamento, beneficiando todos os mercados. O dólar comercial abriu em alta de 0,22% e, às 10h10, subia 0,77% a R$ 1,807.

O comportamento positivo do dólar deve perdurar na manhã de hoje, pelo menos até que o presidente da instituição, Ben Bernanke, faça seu discurso na convenção anual da Associação dos Bancos Comunitários da América, em Nashville (Tennessee), previsto para as 11 horas. Isso porque, se ele não confirmar as percepções, haverá reação.

Por ora, o efeito do otimismo com a retomada econômica norte-americana no dólar não foi abalado nem mesmo diante da notícia de que os países da zona do euro assinaram o segundo programa de resgate para a Grécia. Em comunicado, o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, informou que "todos os procedimentos nacionais e parlamentares exigidos foram finalizados". Afirmou, também, que os 17 países autorizaram o fundo de resgate temporário do bloco, a Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, na sigla em inglês), a liberar a primeira parte de ajuda ao país. Esse primeiro pagamento será "no montante total de 39,4 bilhões de euros, que serão desembolsados em várias parcelas", diz o comunicado. O anúncio formaliza uma decisão política de conceder à Grécia mais 130 bilhões de euros tomada pelos ministros de Finanças da zona do euro na segunda-feira.

Por aqui, embora o mercado espere uma alta do dólar na abertura, o que já é sinalizado nos negócios com derivativos, a firmeza da moeda norte-americana pode ser abalada pelas questões domésticas. Depois de um esforço grande e bem-sucedido no sentido de imprimir uma trajetória de alta para o dólar - que durou sete pregões consecutivos - o ministro da Fazenda, Guido Mantega, escorregou.

Ao oficializar verbalmente a política de câmbio administrado na sua passagem pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, ontem, ele reforçou a ideia do mercado de que existe uma banda cambial informal com piso em R$ 1,70 e teto em R$ 1,90. E isso abre espaço para arbitragens. "Ao ter certeza dessa banda, os investidores sentem-se confortáveis para operar e especular mais, pois o risco é facilmente calculado e isso pode até trazer mais dinheiro para o País", diz um especialista, avaliando que o nível atual de cotação, ao redor de R$ 1,80, tende a ser o novo ponto de equilíbrio do mercado.

Ainda assim, ele acrescenta, que as promessas de novas intervenções do governo continuarão pesando nos negócios. O operador avalia, também, que o exterior tende a ganhar mais importância nos negócios, durante os próximos pregões.

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