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Há pouco, moeda americana recuava quase 1% frente ao real, cotada a R$ 1,581 na venda

O dólar acentuou a depreciação registrada desde o início do pregão. O movimento aconteceu após a realização do leilão de swap cambial reverso, operação que equivale a uma compra de dólares no mercado futuro.

Por volta das 12h25, o dólar comercial recuava 0,93%, cotado a R$ 1,579 na compra e a R$ 1,581 na venda. Na mínima, chegou a R$ 1,579. No mercado futuro, o contrato de julho negociado na BM&FBovespa tinha queda de 0,87%, a R$ 1,582.

O analista de câmbio da BGC Liquidez Corretora, Mario Paiva, diz que o motivo é que o leilão comprovou o que todos já sabem: há um excesso de dólares no mercado e poucos compradores da divisa. O Banco Central (BC) vendeu apenas 25 mil dos 34 mil contratos, no leilão de swap cambial reverso realizado há pouco.

A operação, que equivale a uma compra de dólares no mercado futuro, movimentou US$ 1,243 bilhão. As propostas foram acolhidas entre 11h e 11h15. Foi ofertado um único lote com vencimento em 1º de setembro.

"O objetivo do BC foi rolar contratos já vendidos com vencimento em 1º de julho", explica Paiva. Ainda segundo ele, o objetivo do leilão de swap cambial reverso é enxugar o excesso de dólares no mercado, de forma a equilibrar a demanda e a oferta da moeda.

Além disso, como acontece nos últimos pregões dos meses, o preço do dólar sofre influência da formação da Ptax (média das cotações ponderada pelo volume), que liquidará os contratos futuros que não são rolados de um mês para o outro.

Nos últimos meses, os vendidos, que ganham com a queda do dólar, falaram mais alto. Segundo dados da BM&FBovespa atualizados ontem, os estrangeiros estão com posição vendida de US$ 19,41 bilhões, considerando os mercados futuros de dólar e de cupom cambial (DDI), ao passo que os bancos estão comprados (posição em que o agente ganha com o avanço da moeda americana) em US$ 15,26 bilhões.

A depreciação do dólar observada hoje encontra respaldo também no cenário externo. Dados da economia americana divulgados mais cedo decepcionaram o mercado e tiraram força do dólar.

O indicador que mede a confiança do consumidor americano, do Conference Board, caiu de 61,7 em maio para 58,5 neste mês. A expectativa dos analistas era de uma queda menos acentuada, para 61.

Ao mesmo tempo, os investidores repercutem um discurso do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, realizado há pouco. Ele citou que segue vigilante com relação à inflação e acenou para a possibilidade de um novo aumento da taxa de juros da zona do euro.

Enquanto isso, os investidores estão à espera da votação das novas medidas de austeridade fiscal no Parlamento da Grécia. Sem a aprovação, a Grécia não receberá ajuda financeira da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

O Dollar Index, que mede o desempenho da moeda americana ante seis divisas rivais, caía 0,41%, aos 74,98 pontos, há pouco. O euro, por sua vez, avançava 0,77% ante o dólar, a US$ 1,438. As commodities estão em alta, o que fortalece às chamadas moedas commodities. Minutos atrás, o Índice CRB avançava 1,08%, aos 332,31 pontos.

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