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Estabilidade da inadimplência em fevereiro ante janeiro também ajudou para o movimqnto de queda

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As taxas projetadas no mercado futuro de juros operam em linha com a queda dos juros dos Treasuries. A expectativa de inflação futura menor aqui e a estabilidade da inadimplência em fevereiro ante janeiro ajudaram ainda para o movimento. Por outro lado, a divulgação recorde da arrecadação de tributos federais em fevereiro não fez preço na curva a termo de juros.

Ao término da sessão normal na BM&F, o DI janeiro 2013 (97.348 contratos) estava em 8,91% de 8,94% na véspera e o janeiro 2014 (214.705 contratos) caía de 9,58% para 9,54% hoje. Já o janeiro 2017 (44.515 contratos) estava em 10,66%, ante 10,75% ontem e o janeiro 21 (2.610 contratos) recuava de 11,22% para 11,13%.

A queda dos juros com respectiva alta dos preços dos títulos do Tesouro norte-americanos está amparada na fala do presidente do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), Ben Bernanke, na véspera, quando destacou a melhora no mercado de trabalho norte-americano. Bernanke, no entanto, se mostrou cauteloso com a sustentabilidade dessa recuperação. Para a economista da Link Investimentos, Marianna Costa, o presidente do Fed, em seu discurso, se mostrou mais inclinado a adotar uma nova rodada de estímulo monetário. "Essa indicação sugerindo um estímulo monetário é o que está fazendo a curva (de juro futuro) fechar um pouco, acompanhando a performance dos Treasuries".

Outro profissional, que preferiu não se identificar, ressaltou que a expectativa futura de inflação mais baixa favorece, principalmente, o fechamento da curva longa. Neste sentido, o Relatório Trimestral de Inflação que será divulgado na próxima quinta-feira pode ditar o rumo do mercado de juro futuro. "Sim, (o relatório) tem potencial para mexer no mercado de juro, e é bem razoável que mexa. Isso vai depender se virá (o relatório) mais dovish (moderado em relação ao combate a inflação) ou hawkish (mais conservador)", disse a fonte, ressaltando que grande parte do mercado espera um relatório mais técnico, e por isso, mais hawkish.

Hoje, o BC informou que a inadimplência média nas operações de crédito com recursos sem destinação específica, o chamado crédito livre, ficou estável em 5,8% em fevereiro. O nível de calote superior a 90 dias no crédito às pessoas físicas seguiu em 7,6%. Dentro do levantamento, a inadimplência dos financiamentos para compra de veículos subiu para 5,5% em fevereiro, a maior da série, que teve início em 2000.

Em relação a arrecadação, os brasileiros pagaram R$ 71,902 bilhões em impostos federais e contribuições previdenciárias em fevereiro. Assim como ocorreu em janeiro, o valor pago foi recorde para um mês de fevereiro e a cifra mantém intacta a percepção de que o governo segue tendo receitas necessárias para entregar o superávit primário cheio de 2012.

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