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Juros futuros ainda repercutem o corte de 0,75 ponto percentual da Selic feito nesta semana

O mercado futuro de juros encerra a semana ainda ajustando as taxas, após o corte de 0,75 ponto porcentual da Selic, para 9,75%, na quarta-feira à noite. Enquanto os vértices curtos mostram pequena elevação, recompondo prêmios ante o declínio de ontem, as taxas longas mantiveram trajetória de queda. Este movimento gera, hoje, abrandamento do diferencial entre as pontas longa e curta, fornecendo indicação de que o Banco Central está conseguindo moldar a inclinação da curva. A expectativa é de certa volatilidade nos DIs até a divulgação da ata do Copom, na próxima semana, quando o mercado espera melhor sinalização do Banco Central sobre os próximos passos.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, o DI janeiro de 2013 (448.315 contratos) estava em 8,65%, ante 8,67% no ajuste, enquanto o DI janeiro de 2014 (373.445 contratos) marcava 9,23%,de 9,30% na véspera. O DI janeiro de 2017, com giro de 66.080 contratos, apontava 10,48%, de 10,56% ontem, e o DI janeiro de 2021 (3.615 contratos) indicava 11,03%, de 11,09%.

Por aqui, houve uma bateria de dados de inflação, mas os números não foram determinantes para o movimento dos juros futuros. O IPCA fechou fevereiro em 0,45%, ante 0,56% no mês anterior, ficando no intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, que esperavam taxa entre 0,35% e 0,50%, e levemente acima da mediana de 0,44% projetada. No acumulado em 12 meses até fevereiro, o IPCA ficou em 5,84%, marcando a menor taxa desde novembro de 2010.

O grupo Transporte favoreceu o desempenho do indicador, com ajuda da deflação de combustíveis. No IPC-Fipe, na capital paulista, porém, o grupo Transportes mostrou piora entre o fechamento de fevereiro e a primeira quadrissemana de março. E, segundo a fundação, ainda não é possível saber qual será o efeito da falta de combustíveis gerada pela greve dos caminhoneiros sobre o índice. No atacado, a FGV mostra que aumentos generalizados levaram ao término da deflação na primeira prévia do IGP-M em março.

Nos mercados globais, o clima foi positivo reagindo à criação de 227 mil vagas, número acima do esperado. Em reação ao dado norte-americano, os contratos futuros de metais básicos fecharam quase todos em alta hoje na London Metal Exchange (LME). O corte do rating da Grécia pela Fitch, para default restrito, já era esperado e não afetou o humor dos investidores. O Instituto para Finanças Internacionais (IIF), que representa cerca de 450 bancos e outros credores privados da Grécia, disse que os resultados da oferta de troca da dívida da Grécia ajudarão a estabilizar a economia da zona do euro e permitirão que o governo grego implemente reformas e retorne aos mercados de bônus.

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