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SÃO PAULO - A formação de preço no mercado de juros futuros não foi influenciada pela divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) de outubro, que superou as expectativas

SÃO PAULO - A formação de preço no mercado de juros futuros não foi influenciada pela divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) de outubro, que superou as expectativas. A curva parece apenas corrigir os prêmios embutidos no pregão anterior, quando os agentes reagiram ao forte pessimismo externo, pesquisas eleitorais e novo IOF para recursos estrangeiros. Os investidores também aguardam a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa de juros. O consenso é de manutenção do juros básico em 10,75% ao ano. Antes do ajuste final de posições, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2012, mais líquido do dia, apontava baixa de 0,04 ponto, a 11,27%. Janeiro de 2013 mostrava desvalorização de 0,05 ponto, a 11,67. Janeiro de 2014 perdia 0,07 ponto, a 11,63%. E janeiro de 2015 cedia de 0,09 ponto, a 11,57%. Entre os curtos, novembro de 2010 apontava estabilidade a 10,62%. E janeiro de 2011 projetava 10,64%, também sem alteração. Até as 16h10, foram negociados 681.230 contratos, equivalentes a R$ 58,55 bilhões (US$ 34,71 bilhões), metade do que o observado no pregão anterior. O vencimento janeiro de 2012 foi o mais negociado, com 160.545 contratos, equivalentes a R$ 14,12 bilhões (US$ 8,37 bilhões). Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA-15 mostrou inflação de 0,62%, acima da mediana do mercado de 0,55% e o dobro do observado em setembro. Em 12 meses, a alta acumulada passou de 4,70% para 5,03%. Para um operador de renda fixa que preferiu não se identificar, o IPCA surpreende, mas a alta ficou concentrada em preços de alimentos, algo já esperado, inclusive pelo próprio Banco Central. Ainda de acordo com esse operador, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC -Br) também fez frente a essa piora da inflação. O indicador, visto como um antecedente do PIB, indicou estabilidade da atividade em agosto ao registrar 139,12 pontos, na série dessazonalizada. O dado reforça o cenário de crescimento mais moderado no terceiro trimestre do ano, o que está em linha com os modelos do próprio Banco Central (BC). "O número dá mais credibilidade aos modelos do BC", disse. De volta ao IPCA-15, o Departamento de Estudos e Pesquisas Econômicas do Bradesco, notou que o grupo alimentos e bebidas mostraram inflação de 1,70%, após 1,08% em setembro. Com tal comportamento, o grupo contribuiu com 0,39 ponto percentual do resultado total. "O que temos observado nas coletas de preços e em outros índices de inflação sugere que a pressão em alimentação deverá continuar para o encerramento do mês", disse a instituição. O Bradesco ressaltou, no entanto, que não foi apenas alimentação que surpreendeu para cima. As medidas de núcleo também se aceleraram no IPCA-15 em relação ao IPCA de setembro. Em 12 meses, os preços de serviços tiveram alta de 7,13%, acima dos 6,89% registrados em setembro, o que dá suporte à avaliação de que a demanda segue aquecida. "De forma geral, este resultado cria um viés de alta para as expectativas do IPCA para o fim deste mês, sendo que o componente de alimentação deve continuar pressionado, assim como os núcleos, ainda que estes devam apresentar algum arrefecimento nos meses à frente", concluiu a instituição, que espera IPCA de 5,30% no encerramento do ano. (Eduardo Campos | Valor)

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