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Em carta, Casino afirma que negociações entre Carrefour e Diniz são "agressão". Ação do Carrefour fecha em alta de 2,84%

As ações do Groupe Casino , que hoje divide o controle do Pão de Açúcar com o empresário brasileiro Abilio Diniz, registraram forte queda hoje na bolsa de Paris. Os papéis da varejista fecharam em baixa de 5,61%, a 62,20 euros, enquanto o índice CAC, o principal de Paris, subiu 1,46%.

O Carrefour, a exemplo do Pão de açúcar no Brasil, subiu 2,84% na bolsa francesa, cotado em 27,20 euros. No acumulado do ano, as ações do Carrefour caem 11,83%, enquanto o Casino recua 14,74%, e o CAC sobe 1,24%.

Desde que surgiram os primeiro boatos envolvendo as conversas entre o Carrefour e Abilo Diniz, as ações do Casino estão em queda. No dia 20 de maio, pouco antes dos primeiros rumores, os papéis do Casino estavam cotados a 74,65 euros. Desde então, as cotações acumulam uma desvalorização de quase 17%.

A pergunta que se faz hoje é: Abilio Diniz teria traído o Casino, que é seu sócio desde 1999? E Diniz pretende assumir um papel de destaque na gestão do Carrefour, na França?

Em carta ao membros do conselho do Grupo Pão de Açúcar divulgada hoje, o Casino lembra que Abilio Diniz vendeu o controle do Pão de Açúcar em 2005 e lamenta que ele tenha iniciado "negociações secretas e ilegais com terceiro concorrente (...) sem sequer informar ao maior acionista individual da Companhia (o Casino), e negando publicamente a existência de negociações relevantes".

A Estáter, escritório que estruturou a operação, e o banco BTG, que fará um aporte na nova empresa com o BNDES, avaliam que o Casino ainda poderá rever sua opinião. Eles acreditam que o acordo também será um bom negócio para a varejista francesa.

"Diante de uma agressão dessa grandeza, não hesitaremos em continuar adotando todas medidas cabíveis para a preservação dos interesses da companhia e de todos os seus acionistas", disse o Casino, que quer convocar imediatamente uma reunião do conselho de administração da Wilkes (holding que controla o Grupo Pão de Açúcar) para discutir os termos da proposta

O Grupo Pão de Açúcar é o negócio mais importante do Casino fora da França e possui um peso estratégico para a rede de supermercados francesa.

As vendas líquidas do Casino totalizaram 29,1 bilhões em 2010. De acordo com informaçoes divulgadas pelo grupo francês, as vendas totais do Grupo Pão de Açúcar totalizaram 13,7 bilhões de euros no ano passado.

A nova empresa resultante da fusão entre o Grupo Pão de Açúcar e o Carrefour deve faturar 30 bilhões de euros, ou cerca de R$ 70 bilhões.

Como acionista do Grupo Pão de Açúcar, porém, o Casino poderá se opor à proposta de fusão.

A fusão entre Pão de Açúcar e Carrefour é particularmente ruim para o Casino porque, além de diluir sua participação na varejista brasileira, ele passa a ser sócio do Carrefour na França, onde o Carrefour enfrenta problemas.

Veja como fica a nova estrutura societária no Brasil e na França

Brasil

Controladores do Novo Pão de Açúcar (NPA), ações ordinárias
Casino: 29%
Abilio Diniz: 17%
BNDESPar/BTG: 21,2%

Essa será a empresa negociada na bolsa de São Paulo e Nova York. Todas as ações do Grupo Pão de Açúcar (negociadas com o código PCAR) serão convertidas em ações ordinárias. Cada ação preferencial será convertida na proporção de 0,98 ação ordinária. As ordinárias serão convertidas na proporção de um para um.

Controladores do Grupo Pão de Açúcar-Carrefour (braço operacional), ações ordinárias
NPA: 50%
Carrefour França: 50%

Carrefour França

Controladores do Carrefour na França, ações ordinárias
NPA (Brasil): 11,7%
Blue Capital/Colony/ Bernard Arnault: 11.1%

Sócios de longa data

O Casino já é sócio de Abilio Diniz desde 1999, e, em 2005, passou a dividir o controle do grupo com o empresário. Por contrato, o Casino tem o direito de comprar uma ação a mais de Diniz em 2012, tornando-se sócio majoritário do Pão de Açúcar. E, ao que tudo indica, foi por isso que Jean-Charles Nauori, principal executivo do Casino, esperou ao longo dos últimos seis anos.

Ainda não está claro se Abilio Diniz pretende liderar o Carrefour na França, ao se transformar em um dos maiores sócios da segunda maior varejista do mundo. Em encontro com jornalistas hoje pela manhã em São Paulo, Pércio de Souza, sócio da Estáter, escritório responsável pela estruturação da operação do Carrefour com o Pão de Açúcar, afirmou que isso não foi discutido.

A gestão da NPA será decidida entre os seus sócios, acrescenta. A NPA terá o direito de indicar dois conselheiros para o conselho do Carrefour na França, além de participar dos quatro comitês da varejista francesa.

Bom negócio

Carlos Fonseca, sócio do BTG, afirmou hoje que o acordo é um bom negócio também para o Casino e que o direito de todos os acionistas estão preservados. "Todos os acionistas terão a oportunidade de manifestar contra ou a favor", afirmou. 

O financista descreveu o acordo como um "ganha, ganha" para todas as partes. "Existe benefício para todos os acionistas e para os consumidores", afirma. A previsão é de que a fusão das operações trará ganhos de sinergia de R$ 1,3 bilhão a R$ 1,7 bilhão por ano.

(colaborou Aline Cury Zampieri)

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