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Mercado volta as atenções para discussões sobre a trajetória do juros no Brasil; bolsas norte-americanas caem

Descolado do front externo, o mercado de ações brasileiro amplia os ganhos no pregão desta sexta-feira e o Ibovespa está conseguindo se firmar acima dos 67 mil pontos, embalado principalmente por ações do setor financeiro e outras empresas relacionadas à cena doméstica. Com uma agenda fraca no exterior, o mercado volta as atenções para as discussões sobre a trajetória dos juros no Brasil, em meio aos esforços do governo para tentar frear a queda do dólar e à possibilidade de o Banco Central ampliar o ritmo dos cortes da Selic para contribuir nessa frente.

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As apostas de maior agressividade do BC sempre repercutem sobre papéis de empresas atreladas ao mercado interno e tendem a favorecer o desempenho da bolsa como um todo, diante da percepção de sua maior atratividade em relação à renda fixa. Neste pregão, o Ibovespa subia 0,97% por volta das 15h47, aos 67.460 pontos, com giro financeiro de R$ 4 bilhões.

Vale lembrar que ontem o índice estabeleceu nova máxima para o ano, ao marcar 66.809 pontos . Em Wall Street, o índice Dow Jones tinha desvalorização de 0,32%, enquanto o S&P 500 caía 0,52% e o Nasdaq perdia 0,53%. A entrada de fluxo estrangeiro no mercado pode estar contribuindo novamente para a valorização do dia, segundo Luiz Gustavo Pereira, da equipe de análise da Um Investimentos. O investidor internacional chamou atenção ontem no mercado futuro.

Em apenas três dias, ele reduziu sua posição "vendida" (aposta de queda) sobre Ibovespa futuro em expressivos 23.909 contratos e passou a ficar "comprado" (aposta de alta) em 1.621 contratos. Do lado técnico, Pereira assinala que, ao romper o próximo objetivo, em 67.400 pontos, o Ibovespa já caminha em direção aos 70 mil pontos. Empresas

A maioria das ações do Ibovespa opera em alta nesta jornada, com destaque para Braskem PNA (3,77%, a R$ 16,48), Souza Cruz ON (3,31%, a R$ 27,14) e Fibria ON (3,01%, a R$ 15,72). Hypermarcas ON ainda subia 2,67%, a R$ 11,91, após matéria do Valor mostrar que os laboratórios nacionais Aché, EMS, União Química e Hypermarcas vão anunciar, no início da próxima semana, a criação da BioBrasil, a propagandeada "superfarmacêutica brasileira", com apoio financeiro do BNDESPar, braço de participações do BNDES.

As quatro empresas vão formar uma joint venture para a criação do laboratório, que será voltado a medicamentos biológicos (desenvolvidos a partir de células vivas). Dentre os papéis mais relevantes da bolsa, Vale PNA ainda avançava 0,44%, a R$ 43,14, e Petrobras PN também se apreciava em 0,44%, a R$ 24,99. Na direção oposta, as ações Lojas Americanas PN (-4,53%, a R$ 17,47) e B2W ON (-4,84%, a R$ 10,02), após as empresas divulgarem seus resultados trimestrais.

O lucro líquido da Lojas Americanas apresentou crescimento de 13,5% no quarto trimestre do ano passado, chegando a R$ 180,2 milhões. Já sua controlada, a B2W, obteve prejuízo de R$ 28,8 milhões no período, ampliando o resultado negativo de R$ 14,2 milhões visto no mesmo trimestre do ano anterior. Fora do Ibovespa, destaque para as ações PNA da Suzano (6,04%, a R$ 8,59). Conforme mostrou o Valor, o grupo anglo-sul-africano Mondi, produtor de papéis e embalagens com ações negociadas nas bolsas de Johannesburgo e Londres, estuda a compra de 50% do projeto de celulose da Suzano no Maranhão.

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