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Investidores estão temerosos que crise da Grécia contamine demais economias europeias

As Bolsas de Valores dos EUA tiveram uma queda livre por volta das 15h30, chegando a cair mais de 9% em poucos instantes nesta tarde de quarta-feira.

O índice Dow Jones, principal índice da Bolda de Nova York (Nyse), chegou a atingir queda de 9,12%. A Nasdaq recuou 7,2%. Depois de atingir essas baixas, os índices voltaram a se recuperar, mas ainda assim mostrando queda superior a 4%. Às 16h30, a Nyse recuava 4,4%. A Nasdaq, 4,6%.

Foi a maior queda num único dia desde a "crash" da Bolsa de Nova York em 1987, segundo a Bloomberg.

A Bolsa de Valores de São Paulo (BM&F Bovespa) acompanhou a queda, registrando recuo superior a 6%. No pior momento, as ações como a mineradora MMX, do empresário Eike Batista, e a construtora Cyrela, de Elie Horn, tiveram queda superiores a 12%. No entanto, essas ações se recuperaram. O Índice Bovespa registrava baixa de 1,98% às 16h30.

Os investidores ficaram desapontados por avaliar que as medidas tomadas pelo Banco Central Europeu foram insuficientes para debelar a crise da Grécia. Eles temem que as dificuldades da economica grega contaminem outros países como Espanha, Portugal e Itália.

Segundo analistas, a rápida queda acentuada dos principais mercados está relacionada ao movimento de grandes fundos de investimentos internacionais. Estes fundos, que administram bilhões de dólares, têm limites de perda. Quando são ultrapassados, as posições de investimentos são automaticamente zeradas, causando a forte venda de papéis no mercado.

No pior momento do dia, o que pode ter ocorrido é um efeito "manada" destes mecanismos de proteção de perdas, zerando posições. Quando o índice bateu num determinado piso, os fundos voltaram ao mercado, comprando os ativos mais baratos, avaliam os analistas.

Dólar

O dólar subia 4,73% frente ao real por volta de 15h30 desta quinta-feira. Pouco antes, a queda era de 5,15% e dólar valia R$ 1,89, o maior valor em dois meses, desde 5 de fevereiro. Mas a moeda brasileira não recua sozinha. Um movimento forte de reposicionamento de ativos foi protagonizado por investidores de todo o mundo e quase todas as moedas caíam em relação à norte-americana.

Esse movimento acontece por uma aversão ao risco, que faz com que investidores busquem ativos considerados mais seguros, como é o caso do dólar, dos títulos do governo norte-americano e do ouro, segundo o professor Ricardo Humberto Rocha, da FIA. No caso do dólar, a alta acontece diretamente – com operadores comprando a divisa norte-americana, o que eleva a demanda e provoca alta no preço – e indiretamente - com investidores tirando o dinheiro de bolsas de valores e outros ativos em outras moedas.

“Com a bolsa realizando lucros [investidores vendem papéis para garantir o lucro que tiveram até o momento], o investidor estrangeiro acaba levando capital para fora do País, o que pressiona o real”, afirma Rocha.

“O reposicionamento de portfólios é conseqüência da percepção de aumento do risco de economias europeias capitaneadas pela economia grega”, diz Rocha. Além das preocupações com a Grécia – entre elas, a de que a ajuda aprovada pelo Parlamento Europeu não será suficiente – cresce o temor de que outros países tenham crises mais críticas.

“Ainda não é possível analisar o efeito de uma crise na Espanha e em Portugal, por exemplo, para o Brasil”, diz Rocha. Mas, segundo eles, em momentos de dúvida, os investidores agem por precaução. “Eles buscam proteção e migram os ativos para opções mais seguras”, afirma.

O economista Roberto Padovani, estrategista-chefe do banco WestLB, vê três eventos responsáveis pelo rápido mergulho do mercado nos pregões de hoje. Segundo ele, o mais importante é a Europa, onde há o temor de calote por parte da Grécia e, em menor grau, em Portugal, Itália e Espanha, torne-se uma crise sistêmica e se alastre pelo continente. Associado a esse temor, na hipótese de um calote, a expectativa de “falta” de crescimento na região. “Lembre-se que a Zona do Euro é o segundo país do mundo.”

O segundo evento, na opinião de Padovani, é que investidores reavaliaram os preços dos ativos e decidiram vender. “As Bolsas americanas vêm subindo desde março de 2009. Houve alguma realização de lucro em julho do ano passado, outra em fevereiro, mas o mercado está em trajetória de alta”, diz. De acordo com o estrategista-chefe do WestLB, essa alta do mercado acionário norte-america foi puxada pela constatação de que a crise financeira internacional não desembocou em uma recessão ou em uma depressão global. “Com isso, os ganhos foram expressivos nesse mais de um ano. É natural que os investidores reavaliem os preços dos ativos” e vendam suas posições.

O terceiro fator, afirma Padovani, é mais técnico. Quando há grandes movimentos no mercado, muitos investidores decidem vender seus papéis, num movimento conhecido como “stop loss” – ou limitar as perdas, numa tradução livre. “Isso ocorre de tempos em tempos e provoca quedas grandes”, acrescenta. “E por razões técnicas, os mercados exageram nos quesitos.” De qualquer maneira, a preocupação dos agentes do mercado com um crescimento mundial menor é que está por trás das quedas.

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