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Para Maria Helena Santana, aumento do imposto pode atrapalhar o arcabouço de regras que foi construído há décadas no país

A presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Maria Helena Santana, acredita que o aumento para estrangeiros do imposto sobre operações financeiras (IOF) para operações de renda fixa e sobre a margem de garantia do mercado futuro, para 6%, pode atrapalhar o arcabouço de regras de mercado construído no longo prazo no país.

Mas ela acredita que existe também uma compreensão sobre a necessidade do governo de atuar no câmbio. A presidente da CVM lembrou que o Brasil se dedica há décadas no processo estrutural, de longo prazo, para a constituição de instituições e de regulamentação.

"Há décadas que a gente vem construindo credibilidade, tornando a nossa regulamentação mais confiável e o sistema todo mais sólido e isso não muda. Temos que continuar nessa trajetória. Tenho certeza de que essa é também a visão do Ministério da Fazenda, muito embora ele tenha tido neste momento que adotar uma medida conjuntural, que ele achou que se justificava", disse.

Maria Helena afirmou, no entanto, que essas medidas conjunturais podem acabar atrapalhando todo o arcabouço de longo prazo construído no país. "Mas hoje existe no mundo uma percepção muito clara do tipo de pressão que está colocada em cima dos países bem sucedidos. Como também há uma compreensão de que alguma coisa eventualmente precisa ser feita. Agora, é claro que a gente tem que se preocupar sim com a estabilidade do ambiente, porque qualquer turbulência resulta em perda de competitividade para gente, e para as nossas empresas", acredita.

Ela participou do Congresso Internacional de Governança Corporativa, promovido pelo IBGC, no Rio de Janeiro.

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