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As taxas dos contratos longos estão menores que as dos contratos curtos

Depois de uma breve correção na quarta-feira, os contratos de juros futuros retomaram o firme movimento de baixa iniciado no começo da semana. Com isso, a curva passou por um movimento de inversão. As taxas dos contratos longos estão menores que as dos contratos curtos, ou seja, o mercado passa a trabalhar com queda da Selic no médio prazo.

Como resumiu um gestor, o mercado aposta que essa turbulência atual, concentrada na zona do euro e nos Estados Unidos, vai bater na economia real, levando o Banco Central (BC) a cortar os juros. "O BC vinha com uma política ruim em termos de controle de inflação e formação de expectativas, mas poderá ser ajudado pelos fatos", disse.

Ainda de acordo com esse especialista, como o BC hesitou em elevar os juros com mais firmeza para conter a inflação, se uma crise grave se confirmar ele não vai pensar duas vezes em cortar a Selic, atualmente fixada em 12,50%. "O mercado está certo em apostar nisso." Essa avaliação do especialista ganha embasamento em inúmeras sinalizações do governo de que a meta é controlar a inflação sem derrubar a economia.

Olhando para o mercado externo de juros, esse medo de menor crescimento e consequente juros baixos também aparece nos títulos americanos. O papel de 10 anos nos EUA mostrava taxa de 2,47%, menor desde meados de outubro do ano passado. O título de 30 anos oferecia rendimento de 3,75%, o menor também desde outubro.

De volta ao mercado local, antes do ajuste final de posições na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em setembro de 2011 apontava queda de 0,03 ponto percentual, a 12,38%. Outubro de 2011 apontava 12,40%, contração de 0,02 ponto. E janeiro de 2012 projetava 12,39%, alta de 0,04 ponto. Entre os contratos mais longos, janeiro de 2013, o mais líquido do dia, apontava baixa de 0,17 ponto, a 12,35%. Janeiro de 2014 registrava queda de 0,14 ponto, a 12,42%. Janeiro de 2015 tinha desvalorização de 0,10 ponto, a 12,44%. Janeiro de 2016 caía 0,09 ponto, a 12,40%. E janeiro de 2017 projetava 12,34%, queda de 0,07 ponto.

Até as 16h10, foram negociados 2.380.727 contratos, equivalentes a R$ 210 bilhões (US$ 133,32 bilhões), quase quatro vezes mais do que o registrado no pregão anterior e o maior volume em quatro meses. O vencimento janeiro de 2013 foi o mais negociado, com 516.880 contratos, equivalentes a R$ 43,87 bilhões (US$ 27,85 bilhões).