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Leon Black, dono de empresa que administra R$ 115 bilhões em ativos, deu festa com direito a Elton John e estilistas famosos

Schwarzman, o dono da emblemática festa de 2007
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Schwarzman, o dono da emblemática festa de 2007
Quando, em 2007, o titã das aquisições bilionárias Stephen A. Schwarzman deu a si mesmo uma festa de 60 anos definidora de uma era, a economia global estava em alta.

Quatro anos e uma crise financeira depois, o mundo parece muito diferente. Mas não tanto para mundo do private equity, os fundos que investem em companhias de capital fechado. Pelo menos quando o assunto são festas de aniversário.

É sábado à noite e o especialista em financiamentos Leon D. Black comemora seu sexagésimo aniversário com uma mega festa em sua casa à beira-mar em Southampton, o balneário dos muito endinheirados, em Nova York. Depois de um jantar em que, entre outros pratos, havia foie gras grelhado, cerca de 200 convidados assistem a um show de Elton John. A lenda da música pop, que fecha com "Crocodile Rock", recebeu pelo menos US $ 1 milhão para se apresentar por 90 minutos.

"O grande sir Elton John se apresentando na fabulosa festa de aniversário de 60 do meu amigo Leon Black", escreveu a estilista Vera Wang, em sua página de Facebook. "Eu tive a honra de vestir sua esposa, minha amiga, Debra Black, a anfitriã! Se alguma vez existiu uma grande família ... é essa! Beijos, beijos, Vera."

As estrelas da música e da moda colidiram com uma espécie de quem é quem de Wall Street. Entre os foliões, Michael R. Milken, o pioneiro dos junk bond e chefe de Black na Drexel Burnham Lambert, na década de 1980; o investidor de fundos de hedge Julian H. Robertson Jr.; o executivo-chefe da Goldman Sachs, Lloyd C. Blankfein; e o principal executivo do grupo Blackstone, o próprio Schwarzman.

Anos depois, mas no meio da crise, foi a vez da festa de Leon Black
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Anos depois, mas no meio da crise, foi a vez da festa de Leon Black
Completam a lista de convidados políticos, incluindo o prefeito Michael R. Bloomberg e o senador de Nova York Charles Schumer, que esfregou os cotovelos com as celebridades da mídia Martha Stewart e Howard Stern.

"Leon dá algumas festas boas, porque a fortuna de Leon é de algo como vinte gazilhões, ou algo louco como 20 bilhões e para ele, você sabe, US$ 1 bilhão é algo como US$ 10 para nós", disse Stern em seu programa de segunda-feira no Radio SiriusXM. Black faz parte do conselho da empresa.

Celebrações cheias de ostentação organizadas por ricos e famosos são regra em Nova York e na sociedade de Hamptons. Mas, no mundo das aquisições, há algo especial sobre os donos das empresas de private equity e seus aniversários de 60: em 2002, David Bonderman, co-fundador da TPG, teve os Rolling Stones e John Mellencamp tocando em sua festa no Hard Rock em Las Vegas.

Mas, enquanto a festa de US$ 3 milhões de Schwarzman simbolizou uma nova Era Dourada, o evento de Black – neste período de crise – parece ser algo mais.

"Ele mostra uma espécie de mau gosto moral, por conta dos vastos problemas econômicos do país", diz Michael Thomas, um ex-sócio do Lehman Brothers que escreve romances sobre Wall Street. "Este comportamento sugere que eles estão isolados do resto do mundo, vivendo atrás dessas grandes operações de hedge, e de alguma forma, estão mesmo."

Black não é novo rico e trabalhou em Wall Street por décadas. Quando Drexel desabou no fim dos anos 1980, Black montou uma empresa para comprar participações em empresas em dificuldades. Hoje, essa companhia, a Apollo Global Management, administra US$ 72 bilhões (R$ 115 bilhões) em ativos e tem capital aberto. Suas participações incluem Caesars Entertainment, a maior empresa de cassinos, e LyondellBasell, uma grande corporação fabricante de plásticos e produtos químicos.

Elton John cantou na festa de Leon Black
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Elton John cantou na festa de Leon Black
Um dos principais filantropos de várias instituições acadêmicas, médicas e culturais, Black também usou sua riqueza para acumular uma coleção de arte de classe mundial. Em 2009, em um leilão da Christie’s, ele pagou cerca de US$ 47 milhões por um desenho de giz de uma cabeça de mulher, feito por Rafael.

Enquanto boa parte da economia americana luta para se recuperar da crise financeira, a empresa de Black – e o resto da indústria de private equity – tem se recuperado rapidamente. Apesar de seus negócios estarem muito longe do recorde em aquisições atingido na última década, compras multibilionárias voltaram a acontecer, quando os bancos voltaram a conceder empréstimos corporativos. Fundos de pensão e fundos soberanos globais, diante do fraco desempenho em ações e títulos, continuam a empenhar bilhões na indústria de private equity, na esperança de conseguir retornos mais suculentos.

Os matadores do mercado

A Apollo tem sido considerada uma das empresas de investimento com pessoal mais qualificado de Wall Street. E fez uma matança durante a crise financeira. Sua aposta em papéis de dívidas, na pior baixa do mercado em 2009, fez com que a empresa e seus clientes lucrassem bilhões de dólares.

O sucesso contínuo dessa indústria fez com que ela se tornasse alvo de investigação em Washington. O motivo: a baixa taxa de impostos, de 15% pagos por executivos de private equity como "participação nos resultados", ou a parte dos lucros que os gestores de fundos recebem como remuneração. Eliminar esta provisão, significaria um aumento de arrecadação de US$ 21 bilhões na próxima década, segundo o Escritório Orçamentário do Congresso.

Durante uma conferência no início do ano passado, Black disse que esperava um aumento de impostos e que "alguns ajustes não seriam a pior coisa do mundo."

No entanto, ele também foi um adversário ferrenho de certas propostas de aumento de impostos para si mesmo e a indústria de private equity. No ano passado, Black visitou o Capitólio para se reunir com legisladores e apresentou seu ponto de vista.

Black, por meio de um porta-voz, se recusou a comentar.

Entre os convidados da super festa, estava a estilista Vera Wang
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Entre os convidados da super festa, estava a estilista Vera Wang
No sábado à noite, certamente pouco se falou sobre impostos na casa dos Black, em Meadow Lane, um dos endereços mais desejados dos Hamptons, graças a sua vista panorâmicas do Oceano Atlântico e da baía de Shinnecock. Entre seus vizinhos estão Calvin Klein e o industrial bilionário David H. Koch.

Black teve seu quintal transformado em um cenário de boate. Construiu um deck de madeira sobre a sua piscina e uma tenda para o concerto de Elton John. Depois de um buffet de bolos de caranguejo e bifes, os convidados sentaram-se em sofás com grandes almofadas. Eles assistiram os quatro filhos adultos de Black erguer brindes ao pai e ouviram um poema escrito pelo filho mais novo.

"Oh, eu queria ser um filho de Leon Black", disse Stern, na segunda-feira.

No palco, Elton John cantou muitos de seus hits, incluindo "Your Song", "Benny and the Jets", e "Candle in the Wind". E brincou dizendo que saber quão importante são festas de 60 anos, já que ele mesmo recentemente fez a sua. (Ele tem 64.)

Antes do concerto John, por volta das oito da noite, com uma lua cheia e rosando em cima do Atlântico, Blankfein e Schwarzman se postaram ao pé da escada que leva até a praia. Convidados ouviram Blankfein provocar Schwarzman sobre sua festa fin de siècle.

"Seus 60 nos levaram à crise financeira", Blankfein teria dito ao titã da private equity. "Vamos torcer para que esta festa nos tira dela".

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