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Segundo Standard Bank, desacelerações econômicas não têm os mesmos gatilhos de antigamente

Os Estados Unidos e boa parte da Europa podem entrar em recessão nos próximos seis meses. Em relatório de hoje, o inglês Standard Bank diz que as chances de isso acontecer aumentaram consideravelmente. “O crescimento já estava bastante anêmico antes do choque da queda nas ações semana passada. Este choque poderia ser suficiente para deter a atividade de consumidores e empresas, produzindo crescimento zero em todo o resto do ano.”

Segundo o banco, em muitos aspectos, as recessões mudaram. “Volte para o passado obscuro e distante e as recessões geralmente ocorriam porque a demanda caía, as empresas demoravam a responder, o que significava estoques crescendo, produção cortada e emprego em baixa”, diz. Hoje em dia, as empresas trabalham com estoques curtos, o que ajuda a suavizar os solavancos na demanda. Mas isso não evita recessões.

“Hoje, recessões tendem a ocorrer como um resultado do que poderíamos chamar de um ‘choque de incerteza’ onde as coisas mudam muito rapidamente e de forma bastante dramática, deixando as empresas sem tempo para responder.” Um choque desse tipo foi a crise de crédito, particularmente a falência do Lehman Brothers, em setembro 2008, mas várias recessões anteriores têm sido associadas também a esses choques de incerteza, como os ataques às torres gêmeas e a primeira guerra do Iraque, diz o Standard Bank.

“A questão que temos de nos perguntar agora é se o choque da queda das ações da semana passada, associado a tensões como a crise do teto da dívida dos EUA e do mercado de títulos da zona do euro, é suficiente para produzir um nova recessão nos EUA, Reino Unido e grande parte da zona euro. Nós achamos que sim.”

Para explicar, primeiro o banco diz que é necessário avaliar o tamanho desse novo choque de incerteza. Uma maneira é através do índice de volatilidade VIX , que mede o nervosismo do mercado financeiro. Numa base histórica, o choque da semana passada pode ser classificado como muito grande, perdendo apenas para a crise de crédito desde 1990 (sem contar a crise de 2008).

O banco lembra que, como diz a velha piada, “este índice previu dez das últimas quatro recessões, o que significa que os sinais podem às vezes ser falsos”. Mas os economistas do banco não apostam nisso dessa vez. “Para começar, o choque de incerteza acontece num momento em que a economia global já está muito fraca e não vai demorar muito para que consumidores e ekmpresas o empurrem para o limite.” Além disso, o espaço para uma resposta fiscal e monetária também é muito limitado.

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