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Mesmo com o cenário externo de maior aversão ao risco depois do agravamento da crise europeia, os investidores estrangeiros aumentaram o apetite pelos títulos do Tesouro Nacional

Mesmo com o cenário externo de maior aversão ao risco depois do agravamento da crise europeia, os investidores estrangeiros aumentaram o apetite pelos títulos do Tesouro Nacional. A participação de estrangeiros bateu recorde em maio e atingiu 8,95% do total de R$ 1,52 trilhão do estoque da dívida interna em títulos públicos. Isso equivale a R$ 133,4 bilhões. Em abril, a participação era de 8,63%. O coordenador de Planejamento Estratégico da Dívida Pública, Otavio Ladeira de Medeiros, informou que tem aumentado o interesse de investidores estrangeiros institucionais, como fundos soberanos e de pensão, pelos títulos da dívida interna brasileira. Sem dar nomes, ele contou que um Fundo Soberano bastante conservador, que só aplicava os seus recursos em países com duas notas acima do grau de investimento inicial, flexibilizou as suas regras para aplicar no Brasil. "Foi uma clara demonstração do interesse nos papéis brasileiros", avaliou Medeiros. A rentabilidade elevada dos papéis brasileiros, devido aos juros altos no Brasil, é um dos fatores que atraem os investidores. Mas, no passado, mesmo com um cenário de juros altos, não havia o mesmo interesse dos investidores estrangeiros pelos títulos brasileiros. Para o coordenador de Operações da Dívida Pública, Fernando Garrido, o leque maior de investidores mostra a confiança na economia brasileira e na solidez dos fundamentos econômicos, o que foi reforçado com o grau de investimento concedido ao Brasil pelas três maiores agências de classificação de risco. Segundo ele, a tendência é de um aumento da participação dos estrangeiros no total da dívida. Volatilidade. "Em momentos de incerteza e volatilidade, só o juro não é suficiente para segurar o investidor. Alguns indicadores de solidez são necessários", reforçou o coordenador-geral de Controle da Dívida Pública, Antonio de Pádua Passos. O que faz justamente a diferença, segundo ele, é o fato desses investidores serem institucionais e terem maior apetite por títulos de longo prazo. Por isso, o Tesouro não vê como problema o fato de o déficit na conta corrente do balanço de pagamentos do Brasil com o exterior depender hoje dos chamados investimentos de portifólio (renda fixa e ações) para ser financiado. A participação dos estrangeiros no total do estoque da dívida sofreu uma queda durante a crise financeira internacional, iniciada nos Estados Unidos, mas recuperou os níveis pré-crise no final do ano passado. Segundo Garrido, o Brasil é o País emergente que sofreu menos com a perda de investimentos em títulos públicos e um dos poucos que recuperou e ultrapassou os investimentos de antes da crise. Estoque. Os dados divulgados ontem pelo Tesouro mostram que a dívida pública interna em títulos subiu R$ 26,6 bilhões em maio, um aumento de 1,79% em relação ao estoque de abril. O crescimento refletiu não só o impacto de R$ 15 bilhões da correção dos juros que incidem no estoque da divida, mas também a emissão líquida (o quanto o governo emitiu a mais do que resgatou dos papéis que estavam vencendo) de R$ 11,63 bilhões. Parte dessa emissão de papéis - R$ 5,8 bilhões - foi feita para o Tesouro emprestar a segunda parcela do empréstimo de R$ 80 bilhões ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A primeira parcela - de R$ 74,2 bilhões impactou o estoque da dívida em abril. A dívida pública externa subiu em maio 2,92%, alcançando R$ 94,85 bilhões. A dívida pública federal, que inclui a interna e externa, deu um salto de R$ 29,3 bilhões entre abril e maio, chegando a R$ 1,61 trilhão.

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