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Banco obteve ganho de R$ 3,2 bilhões no primeiro trimestre deste ano, com um salto de 60,5% sobre o ano passado

O banco Itaú Unibanco encerrou o primeiro trimestre deste ano com lucro líquido de R$ 3,2 bilhões, com um salto de 60,5% sobre o mesmo período do ano passado. Rogério Calderón, diretor corporativo de controladoria do banco, atribui grande parte do aumento às operações de crédito. “Do ponto de vista estratégico, o que levou a esse desempenho foi o crescimento da economia do País. Do ponto de vista operacional, o vetor mais importante para o crescimento do resultado foi o crédito, junto com o comportamento da inadimplência”, resume o executivo.

Alta no lucro

Ganho do Itaú Unibanco no 1º trimestre, em R$ mi

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Itaú Unibanco

De acordo com o balanço divulgado pelo banco, a carteira de crédito total encerrou março em R$ 284,7 bilhões, com alta de apenas 4,4% sobre o mesmo mês de 2009. Porém, ao serem desagregados os segmentos, o comportamento da carteira foi diverso. As operações destinadas às pessoas físicas subiram 12,5% nos três primeiros meses do ano, para R$ 104,3 bilhões. A área de cartões de crédito foi a que mais aumentou nesse segmento, com 22,9% de alta e um saldo final de R$ 28,4 bilhões.

Os empréstimos para grandes empresas, por sua vez, tiveram retração de 13,6%, baixando de R$ 103,1 bilhões no ano passado para R$ 89,1 bilhões neste início de ano. “Isso está associado à abertura do mercado de ‘equity’ e outras operações do mercado de capitais neste primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, o que fez com que as grandes empresas mudassem suas estratégias de financiamento”, diz Calderón.

O crédito para micro, pequenas e médias empresas teve comportamento inverso. Registrou uma alta de 24,7%, para R$ 64,3 bilhões. Para o ano todo, o Itaú Unibanco mantém sua expectativa de aumento para a carteira de crédito total, da ordem de 18% a 23%, afirma Calderón.

Imobiliário

No crédito imobiliário, o banco elevou a carteira em 41,7% nos três primeiros meses deste ano sobre o mesmo período de 2009. Segundo o executivo do banco, o incremento correspondeu às expectativas da instituição, que era da ordem de 45%. Para o ano, Calderón afirma que a perspectiva é de um aumento da carteira entre 40% e 50%. “Esse será um dos vetores do crescimento do crédito no ano, não só para o Itaú Unibanco, mas para todo o mercado. E certamente é uma área que irá puxar o crescimento do crédito também nos próximos anos.”

Ao final do primeiro trimestre, o Itaú Unibanco tinha uma carteira de crédito imobiliário de R$ 9,368 bilhões. “Se for confirmada nossa expectativa de aumento de 40% a 50% na carteira, chegaremos ao final do ano com um saldo da ordem de R$ 12,7 bilhões”, afirma o diretor. Na originação do crédito, diz ele, esse valor é dividido em 52% para operações para pessoas físicas e de 48% no plano empresário, mas Calderón afirma já perceber um movimento maior para o crédito direto ao mutuário.

Segundo os dados divulgados pela instituição, o índice de inadimplência referente a atrasos superiores a 90 dias teve uma leve alta 4,4% para 4,9%. “Esperávamos uma baixa na inadimplência devido ao desempenho da economia, baixa que deve se consolidar ao longo dos próximos trimestres, fazendo com que voltemos aos níveis de um ano atrás”, avalia Calderón. A expectativa do banco no final do ano, afirma ele, era que a marca de 6,6% registrada no encerramento do balanço anual baixasse neste primeiro trimestre, chegando a 4,4%. “Esperamos de 4,5% a 4,6% para o final deste ano. Como ela (a inadimplência) veio mais forte no primeiro trimestre, pode ser ainda melhor do que esperávamos.”

Ativos

O maior banco privado do País encerrou o primeiro trimestre com ativos totais de R$ 634,66 bilhões e um patrimônio líquido de R$ 52,975 bilhões. O lucro trimestral representou um retorno sobre o patrimônio líquido médio anualizado de 25%, diante dos 18,2% registrados no mesmo período de 2009. O índice de Basileia do banco fechou março em 17,3%, acima dos 16,5% do mesmo período do ano passado. O indicador mostra quanto a instituição por emprestar em relação a cada R$ 100 de patrimônio.

Com a retirada pelo Banco Central de medidas de estímulo à liquidez, tomadas durante o pior da crise financeira internacional, o que elevou o compulsório dos bancos desde 1º de abril, Rogério Calderón estima que o índice de Basileia vá baixar para 16,4%. Isso, diz ele, “considerando que todos os outros indicadores que compõem o índice ficassem congelados”.



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