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Volume mensal de novos empréstimos e financiamentos concedidos pelo sistema financeiro caiu pela quarta vez no ano

O volume mensal de novos empréstimos e financiamentos concedidos pelo sistema financeiro caiu em julho, pela quarta vez no ano, reforçando as expectativas de desaceleração do estoque de operações em 2011 do próprio governo.

A redução no mês foi de 5,1%, elevando para 6,2% a diferença também negativa em relação a dezembro. Os números foram informados hoje pelo Banco Central e dizem respeito ao mesmo universo de operações consideradas na apuração das taxas de juros.

Chamadas de operações referenciais, elas excluem o crédito com recursos direcionados (que não se sujeita a condições de mercado) e representam cerca de 80% das aplicações livres do sistema. A queda do volume concedido em julho ante junho foi mais forte para a clientela empresarial.

O fluxo, nesse caso, recuou 6,9%, para R$ 104,666 bilhões. As famílias tomaram R$ 73,358 bilhões, 2,5% a menos.

Em relação a dezembro, a redução chegou a 10,9% paras as pessoas jurídicas. Já para as pessoas físicas houve aumento, de 1,5%, na mesma comparação. Por causa do número de dias úteis, as médias diárias de cada segmento caíram na comparação mensal, tanto percentualmente em volume.

O volume de crédito novo tomado no cheque especial por pessoas físicas foi 3% inferior ao de junho, queda superior à média do segmento. Essa é a mais representativa das modalidades quando se olham as concessões.

Destaque para a elevação da taxa de juros média do cheque especial, que na contramão das taxas de juros para o segmento, avançou 3,3 pontos percentuais e chegou a 188% ao ano, a maior taxa desde abril de 1999 (193%).

Olhada por modalidade, a redução das concessões em julho, no caso da clientela não empresarial, foi mais acentuada nos financiamentos imobiliários, cujo fluxo caiu 28% no mês.

Isso não significa, porém, impacto forte na construção imobiliária, pois essas operações são pouco representativas no total do crédito imobiliário, que é majoritariamente de recursos direcionados, ou seja, de aplicação obrigatória pelos bancos.

O BC não informa o volume de concessões para o crédito imobiliário direcionado. Mas o respectivo estoque não caiu em julho; ao contrário, avançou 3,4%. A clientela empresarial tomou menos crédito novo em relação a junho principalmente nas linhas de "hot money", cujo fluxo recuou 55,3%, bem acima da média de 6,9%.

No segmento, a modalidade mais representativa em termos de volume financeiro de concessões é a conta garantida, o cheque especial das empresas. Nessa linha, o montante de recursos novos tomados caiu 3,5% na comparação entre junho e julho, queda mais suave do que a média de todas as modalidades.

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