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As liberações de empréstimos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) somaram R$ 33,9 bilhões de janeiro a abril deste ano, volume 5% inferior ao desembolsado no mesmo período de 2010

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As liberações de empréstimos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) somaram R$ 33,9 bilhões de janeiro a abril deste ano, volume 5% inferior ao desembolsado no mesmo período de 2010. A queda, classificada por técnicos do banco como estabilidade, segue a estratégia de reduzir o peso da instituição no suprimento de crédito de longo prazo.

“O crescimento do banco ancorado em empréstimos do Tesouro tem limite”, comentou o superintendente de Planejamento do BNDES, Cláudio Leal, lembrando medidas já anunciadas para incentivar o crédito de longo prazo por bancos privados.

Este mês, o BNDES recebeu R$ 30 bilhões da linha de empréstimo de R$ 55 bilhões do Tesouro autorizada pela MP 526. Em 2009 e 2010, os aportes somaram R$ 205 bilhões. Em abril, o banco liberou R$ 9 bilhões, um recuo de 14% ante igual mês do ano passado. O desempenho mais fraco foi puxado pelo período de transição entre as etapas 2 e 3 do Programa de Sustentação do Investimento (PSI).

Em sua terceira versão, a linha especial de crédito que, no auge da crise mundial, operou a uma taxa média de 4,5% ao ano, é oferecida com taxa anual de 8,7%. No caso de ônibus e caminhões, a taxa aumenta para 10%. Lançado em julho de 2009 como medida temporária de combate aos efeitos da crise, o PSI completa dois anos no próximo mês e já foi novamente prorrogado até dezembro deste ano.

Pequenas

Leal ressalta que a principal mudança de janeiro a abril foi a elevação significativa da participação de micro, pequenas e médias empresas no volume total dos empréstimos. Em 2010 - que havia registrado a melhor participação das pequenas empresas - foram desembolsados para este segmento 27% do total recorde de R$ 168,4 bilhões emprestados pela instituição. Este ano, até abril, a participação das pequenas e médias correspondeu a 45% do total, em 226,3 mil operações de crédito.

“Já havíamos percebido esse fenômeno em fevereiro e março. Mas o resultado de abril veio confirmar o aumento como tendência”, diz o superintendente, que atribui a participação recorde a dois fatores: ao Cartão BNDES, que para este ano tem orçamento de R$ 7,5 bilhões, e ao PSI, que vem atraindo mais empresas de menor porte. “Nesta terceira edição do programa, pela primeira vez há uma diferenciação entre as empresas”, explica.

Desembolsos

O setor de infraestrutura respondeu por 40% das liberações no BNDES no primeiro quadrimestre; a indústria por 31%; comércio e serviços por 20%, e agropecuária por 9%. Os dados do banco mostram que, nos últimos 12 meses até abril, os desembolsos foram de R$ 166,7 bilhões, com alta de 14% em relação aos 12 meses anteriores.

Excluindo a capitalização da Petrobras, na qual o banco participou com R$ 24,7 bilhões, as liberações no período somaram R$ 141,8 bilhões, 3% inferior ao resultado de 12 meses até abril de 2010. O BNDES estima liberar este ano R$ 145 bilhões.

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