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Uma minoria do mercado não descarta a possibilidade de uma redução da taxa básica de juros no fim deste ano

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O mercado de juros futuros reforçou nesta sexta-feira a percepção da véspera de um afrouxamento monetário no País em meados de 2012 e as taxas se mantiveram em queda. Assim, os contratos futuros de depósito interfinanceiro (DI) de prazo de vencimento mais curtos - janeiro de 2012 e janeiro de 2013 - registraram negócios acima da média diária na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), embutindo a expectativa de corte da taxa Selic no próximo ano. E uma minoria do mercado não descarta a possibilidade de uma redução da taxa básica de juros no fim deste ano, em dezembro.

Para um profissional, o fato de o contrato futuro de DI de janeiro de 2012 ter sido negociado abaixo da taxa de CDI hoje e indicar que o corte da taxa Selic poderia acontecer já este ano, não quer dizer que o mercado está apostando nisso, é mais um movimento técnico. "O investidor está se ajustando à nova realidade, mesmo que seja no curto prazo. Têm muitos participantes do mercado zerando carteira e outros montando novas posições. Ninguém espera que o cenário internacional piore tanto a ponto de o Banco Central cortar a Selic este ano, mas que ele vai cortar, isso vai", disse a fonte.

Ao fim da sessão regular da BM&F, o DI de janeiro de 2012 (461.810 contratos negociados hoje) projetava taxa de 12,34% ao ano, ante 12,39% do ajuste de ontem. A projeção do DI de janeiro de 2013 (463.260 contratos) recuou de 12,35% para 12,23% ao ano e o DI de janeiro de 2014 (147.820 contratos negociados) projetou 12,31% ao ano, ante 12,42% da véspera. O DI de janeiro 2017 (22.570 contratos) recuou de 12,34% para 12,26% ao ano.

O resultado melhor do que o estimado do número de empregos criados em julho nos EUA e a inflação no País medida pelo IPCA, dentro do esperado, trouxeram certo alívio aos negócios pela manhã. Mas o que de fato foi comemorado nos mercados é que hoje é sexta-feira e os investidores terão dois dias para reavaliarem suas estratégias. "Se nada de ruim for informado nos próximos dois dias podemos ter um início de semana mais tranquilo. Mas o alívio deverá ser só no curto prazo", disse uma fonte.

O que pode contribuir para mudar a percepção negativa dos investidores são as sinalizações dos governos dos EUA e da Europa, segundo um gerente de renda fixa. O que poderia deixar o investidor mais calmo, diz a fonte, seria uma sinalização do Federal Reserve (banco central americano) de que haverá mais uma rodada de afrouxamento quantitativo ou um novo pacote de estímulo do governo norte-americano. Na Europa, seria necessário um sinal mais claro do governo de que serão adotadas medidas para evitar que a crise no continente se alastre. "Muito mais que indicadores, o mercado vai estar atento às decisões dos governos. Prova disso é que o payroll e o IPCA não animaram", disse a fonte, ressaltando ainda, que os dados internos "perderam um pouco de valor, por enquanto".

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