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Após dois meses de alta, venda de papéis pode predominar na Bovespa, mas mercado vê espaço para mais valorização

Após dois meses de alta expressiva , a Bovespa inicia março sob relativa desconfiança. Algumas corretoras apostam que os investidores podem embolsar os lucros do início do ano vendendo as ações agora, o que puxaria para baixo as cotações. "Nossa expectativa para o mês de março é de uma bolsa ainda do lado positivo, mas com menor potencial de alta, considerando que a maioria dos papéis acumula alta expressiva nos dois primeiros meses, proporcionando chances para realizações de lucro", diz relatório da Planner.

A avaliação da UM Corretora é parecida. A valorização recente pode provocar um movimento de venda de ativos, mas ainda há espaço para mais alta em março. "Momentos de realização [ de lucros ] sempre ocorrem em mercado de alta. Acreditamos na continuidade da tendência positiva", diz o relatório, que cita o acordo para rolagem de dívida da Grécia e a retomada econômica americana como fatores que devem continuar animando os mercados.

"Sinto que deve acontecer uma realização de lucros em algum momento, fazendo com que alguns dias do mês mostrem maior volatilidade", diz Clodoir Vieira, economista da Corretora Souza Barros. "Para se proteger de turbulências na Europa, onde a situação ainda é pior que nos EUA, vale apostar em papéis de empresas voltadas para o mercado interno", afirma.

Confira, abaixo, algumas ações recomendadas pelas corretoras.

OGX (Petróleo)
Em 2012, após o inicio da exploração comercial nos poços Waimea, o mercado deixou de enxergar OGX apenas como um projeto pré-operacional e passou a precificar seu potencial como empresa operacional. Os papéis estão se valorizando nos últimos meses. "Acreditamos que essa performance positiva deva continuar", diz a Planner.

AES Eletropaulo (Energia)
As ações da empresa valorizaram 2,1% em fevereiro, menos que o Ibovespa e o IEE, índice que mede o desempenho das ações do setor de energia. Portanto, pode haver espaço para mais alta. No dia 13, a empresa divulga o resultado do quarto trimestre do ano passado. O mercado aguarda um dado positivo.

Vale ON (Mineração)
Valorizou menos que a Vale PN, a ação preferencial. Isso pode indicar que haja espaço para ganhos nos papéis ordinários. "Enxergamos com otimismo a recente melhora dos últimos dados econômicos publicados pela China, país que corresponde a aproximadamente 47% das exportações da mineradora", diz relatório da UM.

Itaú-Unibanco (Finanças)
O mercado mostra confiança nos fundamentos que envolvem as perspectivas de crédito no Brasil. Os papéis do banco tiveram desempenho abaixo do Ibovespa nos últimos dois meses, o que pode abrir espaço para oportunidades de investimento. A Socopa Corretora passou a incluir o papel na carteira de ações recomendadas para março, com classificação de risco "moderado".

All (Logística)
As ações da All caíram em fevereiro, após anúncio de que a Cosan poderia adquirir parte da empresa. No entanto, não houve alterações expressivas quanto ao seu desempenho operacional. "O desempenho continua em bons patamares", diz a Planner.

Pão de Açúcar (Varejo)
No dia 16 de fevereiro, o grupo divulgou resultados referentes a 2011, nos quais apresentou melhora na eficiência operacional, superando as expectativas do mercado. Para Clodoir Vieira, da Corretora Souza Barros, o preço alvo da ação (R$ 85), calculado pela Consultoria Lopes Filho & Associados, é superior à cotação atual (R$ 79,60).

Petrobras (Petróleo)
Para o mercado, o cenário macroeconômico para empresas petrolíferas é bastante atrativo, com destaque para os preços elevados do barril.

Tim (Telefonia)
Também tem acumulado altas e é considerada defensiva em caso de turbulência externa, uma vez que a receita depende do mercado doméstico.

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