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Para Comissão, se fusão entre as bolsas tivesse ocorrido, teria criado um "quase monopólio no mercado global de derivados"

A Comissão Europeia informou nesta terça-feira que sua decisão de vetar a fusão das operadoras de bolsas de valores Deutsche Börse e NYSE Euronext foi correta e que defenderá seu bloqueio no Tribunal Geral da União Europeia (UE).

"Se essa fusão tivesse acontecido, teria criado um 'quase monopólio' no mercado global de derivados negociados em mercados organizados baseados em subjacentes europeus, o que teria prejudicado milhares de empresas que usam esses produtos para cobrir os riscos", declarou o porta-voz para assuntos da Concorrência, Antoine Colombani, em entrevista coletiva da Comissão Europeia.

O valor de um derivado se baseia no preço de outro ativo como ações, índices das bolsas de valores e taxas de juros. "Mantemos totalmente nossa decisão e a defenderemos no Tribunal Geral da União Europeia", indicou Colombani, após a imprensa alemã ter divulgado nesta terça que a Deutsche Börse denunciará essa Corte da UE à Comissão Europeia por ter interrompido em 1º de fevereiro seu projeto de fusão com a NYSE, o que teria criado a maior operadora de bolsa do mundo.

O departamento dirigido pelo comissário europeu de Concorrência, Joaquín Almunia, destacou em sua decisão de fevereiro que a fusão proposta criaria um "quase monopólio" nas operações de derivados europeus em nível mundial, já que ambas as sociedades gestoras de bolsas controlam juntas mais de 90% do comércio global desses produtos.

O "Financial Times Deutschland" afirmou em seu site que a intenção da Deutsche Börse não é retomar o projeto de fusão com a NYSE, mas conseguir que a UE considere nesse tipo de fusão outros fatores na hora de tomar uma decisão.

As duas operadoras das bolsas de valores lamentaram que a Comissão Europeia não tenha incluído em sua análise o mercado mundial e se concentrado exclusivamente nas transações de derivados nas plataformas organizadas. Segundo o jornal econômico alemão, a Deutsche Börse também pretende recuperar nos tribunais os 82,2 milhões de euros investidos no projeto de fusão.

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