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Para especialistas, André Esteves passou a se interessar por varejo bancário e deve usar Panamericano para ingressar na área

O BTG Pactual marca sua entrada no varejo bancário com a compra do Panamericano. Para especialistas consultados pelo iG , o banco de André Esteves já vinha dando sinalizações de interesse no setor de crédito há algum tempo, e a compra da instituição de Silvio Santos mostrou-se uma boa oportunidade de entrada no segmento, a preços em conta.

“O BTG tem caixa e, no último ano, fechou ou tentou fechar vários negócios na direção de um dos segmentos mais promissores do Brasil, que é o de empréstimos às classes mais baixas”, diz Luis Miguel Santacreu, analista de bancos da agência classificadora de risco Austing Rating. O especialista lembra que o BTG tentou comprar partes do banco Matone, que opera no Rio Grande do Sul e tem foco em crédito pessoal e imobiliário.

Santacreu conta ainda que o BTG comprou carteiras de consignado e que muitos de seus fundos têm foco no crédito. Além disso, encerrou o ano passado com vários negócios apoiados no crescimento do consumo interno, nos setores de farmácias, postos de combustível, estacionamentos, hospitais e automóveis.

Segundo fontes próximas a Esteves, o crescimento do Brasil mudou a visão do banqueiro sobre o varejo. No começo do Pactual, ele não queria nem ouvir falar em operações nesse setor, disse uma pessoa que conhece Esteves. Mas tudo mudou pouco depois de recomprar o banco, em meados de 2009, que havia sido vendido aos suíços do UBS. A visão começava a ser outra: surfar a grande onda do consumo interno brasileiro.

“Há algum tempo, o BTG discutiu internamente se entraria no ramo de varejo, e houve muita briga. A definição só ocorreu mesmo com a volta do Esteves”, diz uma fonte que prefere não ser identificada.
A entrada de José Luiz Acar Pedro, ex-vice-presidente do Bradesco (maior operador privado de varejo bancário), como sócio do BTG, em outubro do ano passado, é vista como simbólica nessa vontade de operar crédito.

“O Panamericano tem foco em crédito automobilístico e consignado (crédito com desconto em folha)”, lembra Santacreu. “Além disso, há o foco nas classes C e D e as sinergias vindas da parceira entre o banco de Silvio Santos e a Caixa Econômica federal (CEF)”, continua.

Para uma outra fonte ouvida pelo iG , a oportunidade enxergada por André Esteves faz todo o sentido. Apesar de ser pequena, a operação do Panamericano significa entrar num mercado disputado com alguém que já entende do riscado, ou seja, sem começar do zero.

Banco de investimento

Apesar de a maioria dos especialistas acreditar na compra para manutenção, alguns não descartam uma aquisição “à la banco de investimentos”: para arrumar a casa e depois vender. “Acredito que o BTG Pactual comprará o Panamericano, saneará suas operações e venderá a instituição”, diz Ricardo Almeida, professor de finanças do Insper.

Na visão dele, o expertise do banco de André Esteves é justamente esse, e o fato de o Panamericano já ter capital aberto e negociar em Bolsa ajuda. “Está tudo meio pronto, fica fácil embolsar os lucros da operação.”

Veja as últimas tacadas do BTG no consumo:

Abril de 2010 - O BTG Pactual fecha parceira com a Rede D´Or, operadora de hospitais e laboratórios

Março de 2010 - A Mitsubishi Motors do Brasil firma parceria com o Grupo BTG Pactual

Maio de 2009 - BTG compra metade do controle da Estapar, empresa de estacionamentos, por meio de um fundo

Dezembro de 2008 - BTG adquiriu 51% da rede de postos de combustível Derivados do Brasil