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Os mercados, já enfraquecidos na véspera pela avaliação pessimista do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) sobre os Estados Unidos e pelos dados da balança comercial chinesa, despencaram ontem com o temor sobre o futuro da economia global depois da divulgação de uma nova bateria de indicadores da China e de avaliação do Banco da Inglaterra de que a economia britânica deve crescer menos do que o esperado

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Os mercados, já enfraquecidos na véspera pela avaliação pessimista do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) sobre os Estados Unidos e pelos dados da balança comercial chinesa, despencaram ontem com o temor sobre o futuro da economia global depois da divulgação de uma nova bateria de indicadores da China e de avaliação do Banco da Inglaterra de que a economia britânica deve crescer menos do que o esperado.

As principais bolsas americanas fecharam o dia com a pior jornada desde 29 de junho. O índice Dow Jones despencou 2,49%, enquanto bolsa eletrônica Nasdaq caiu 3,01%. Na Europa, a Bolsa de Londres recuou 2,44; a da França, 2,74; e a da Alemanha, 2,10. No Brasil, seguindo o mesmo ritmo das bolsas americanas e europeias, o Ibovespa caiu 2,13%.

Nos EUA, com a queda no mercado acionário, os investidores correram para um investimento conservador - os títulos de 10 anos do Tesouro americano, que tiveram alta de 2,68%.

Na Bolsa de Nova York, o dia foi qualificado como ¿amargo¿. Os pregões refletiram o temor de que a economia mundial atravesse um novo período de baixa expansão. Da China, a confirmação da desaceleração da atividade industrial do país em julho e a perspectiva de um esfriamento da economia trouxeram mais insegurança aos investidores nos EUA. Esse fator influenciou diretamente na queda de 2,8% da cotação do petróleo, cujo preço do barril fechou em US$ 77,98.

Outro sinal de desempenho menos otimista para a economia mundial surgiu na terça-feira, quando o Conselho de Diretores do Fed divulgou sua avaliação de que ¿o ritmo de recuperação da economia provavelmente está mais modesto no período recente do que foi antecipado¿. Esse mea-culpa foi acompanhado pela decisão do banco central americano de comprar títulos do Tesouro de 10 anos com os recursos acumulados do pagamento de seus bônus imobiliários.

A medida teve o objetivo de manter um nível razoável de moeda em circulação na economia americana como forma de alavancar o crédito imobiliário e ao consumidor. ¿Dar mais liquidez ao sistema, dizendo que comprará Treasuries, não está ajudando o cidadão comum¿, disse Robert Pavlik, estrategista-chefe de mercado da Banyan Partners LLC, em Nova York. ¿Isso não vai criar empregos ou ajudar o mercado imobiliário.¿

Ontem, entretanto, outros dois fatores domésticos influenciaram a decisão dos investidores de vender mais ações nas bolsas americanas. O primeiro é a ameaça de deflação nos EUA, onde variação anualizada dos preços ao consumidor em julho alcançou 1,1%. O outro fator é a ampliação do déficit comercial em junho. Com o aumento das importações de bens de consumo da China e de outros fornecedores e a queda das exportações, o déficit subiu para 18,8% - o maior desde outubro de 2008.

Outros indicadores

Na Inglaterra, o Comitê de Política Monetária do Banco da Inglaterra anunciou que a economia do Reino Unido deve expandir-se em um ritmo pouco menor do que previsto inicialmente, por causa do aperto fiscal de £ 113 bilhões até 2015. Na China, a indústria cresceu 13,4% em julho na comparação com o mês anterior, desacelerando em relação aos 13,7% de junho. As vendas no varejo desaceleraram para +17,9% em julho, ante os 18,3% registrados em junho. ¿Alguns participantes do mercado esperavam que a Ásia nos tirasse do buraco¿, disse Len Blum, sócio na gerência do Westwood Capital LLC, em Nova York. ¿Se a China não está crescendo rápido, então não podemos pegar carona nela, o que vai golpear commodities e ações enquanto os investidores correm

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