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SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros operam sem direção única na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F)

SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros operam sem direção única na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F). Os vencimentos até janeiro de 2012 apresentam viés de baixa, enquanto os longos passam por firme ajuste para cima. Chama atenção a forte liquidez do dia, com mais de 800 mil contratos negociados até as 12h30. Por volta das 13 horas, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em novembro de 2010 apontava estabilidade a 10,63%. E janeiro de 2011 também apontava estabilidade a 10,64%. Janeiro de 2012 apontava baixa de 0,04 ponto, a 11,28%. Entre os mais longos, janeiro de 2013 operava estável a 11,64%. Janeiro de 2014 subia 0,04 ponto, a 11,58%, janeiro 2015 ganhava 0,13 ponto a 11,56% e Janeiro de 2016 apontava alta de 0,15 ponto, a 11,49%. Segundo o vice-presidente de tesouraria do Banco West LB, Ures Folchini, a movimentação na curva tem relação com a piora de cena externa, que pauta esta terça-feira, e também capta a novas medidas tomadas pelo governo para tentar conter a valorização do real. Ontem, o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) incidente sobre ingressos externos para renda fixa foi novamente reajustado, passando de 4% para 6%. O governo também elevou a tributação sobre os depósitos de margens de garantia feitos por estrangeiros na BM&F. O IOF, que era de 0,38%, passou a 6%. Com isso, o governo tenta atingir os negócios com derivativos, já que para se operar os contratos futuros é necessário um depósito de margem. Na avaliação de Folchini, os reajustes de IOF em si não têm grande impacto, principalmente quando o investimento for de longo prazo. A questão principal é de sinalização, ou seja, esse tipo de atitude do governo cria a ideia de mais medidas podem vir. Para o tesoureiro, essa alta do IOF não deve ser mortal para o mercado, pois temos os agentes locais, mas certamente veremos uma redução das aplicações dos estrangeiros, principais doadores de dinheiros nos vértices mais longos. Para Folchini, o governo mira o dólar, mas esquece que esse tipo de medida pode prejudicar o alongamento da dívida no médio prazo. Como dito antes, o título longo não perde tanta atratividade, mas o temor com novas medidas fazem o agente repensar o investimento. Afinal de contas, se o IOF seguir subindo, a liquidez pode cair e esse agente que compra agora pode não ter para quem vender mais adiante. "Se o governo subir o IOF para 15% será que vai ter para quem vender o título público?" No campo externo, uma alta de juros na China e fracos resultados trimestrais nos EUA promovem uma alta na aversão ao risco, que se traduz em queda nas bolsas de valores, redução no preço das commodities e valorização no preço do dólar. Na gestão do endividamento público, o Tesouro vende Notas do Tesouro Nacional Série B (NTN-B) e também promove resgate antecipado desses títulos. (Eduardo Campos | Valor)

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