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O dólar encerrou a quarta-feira estável frente ao real, com um leve fluxo positivo sendo contrabalançado pela cautela no exterior com a divulgação de números sobre o mercado de trabalho dos Estados Unidos.

Segundo profissionais do mercado, a expectativa de investidores sobre eventuais medidas do governo visando conter a valorização do real tem ajudado a travar as cotações.

A moeda norte-americana terminou a R$ 1,723 na venda, mesma cotação do fechamento anterior, depois de oscilar entre alta de 0,12% e recuo de 0,29%.

Na véspera, o dólar exibiu a maior queda diária em pouco mais de cinco meses.

"O que a gente viu foi um movimento de 'gangorra'. O fluxo (positivo) esteve mais fraco hoje e o mercado lá fora acentuou o tom negativo no final da tarde", disse Marcos Forgione, operador de câmbio da B&T Corretora de Câmbio.

Um relatório da ADP Employer com a Macroeconomic Adviser LLC mostrou que o setor privado norte-americano cortou 169 mil empregos em novembro, ante estimativa de 155 mil cortes de economistas consultados pela Reuters.

Mais cedo, no entanto, as bolsas de valores nos EUA e no Brasil chegaram a subir com mais força atentas ao fato de que o ritmo de demissões desacelerou frente aos últimos meses.

Analistas acreditam, no entanto, que a tendência no curto prazo ainda é de apreciação do real, diante da expectativa de mais entradas de recursos, respaldada pelos bons fundamentos da economia brasileira.

"Se considerarmos uma tendência baseada na percepção do investidor com o Brasil, ela ainda é de queda (para o dólar), mesmo porque tanto o governo quanto o mercado esperam um forte crescimento da economia brasileira", avaliou Paulo Fujisaki, analista de mercado da corretora Socopa.

Nesta sessão, o Banco Central divulgou que o fluxo cambial em novembro até o dia 27 está positivo em 3,558 bilhões de dólares, com entrada de recursos no segmento comercial e no financeiro. O ingresso líquido no mês passado é mais que o dobro do registrado até o dia 20, de 1,481 bilhão de dólares.

Fujisaki ponderou que o dólar tem demonstrado resistência a mais quedas devido ao receio de que o governo adote medidas adicionais para conter a valorização do real. "Os investidores estão em compasso de espera para saber se mais medidas serão adotadas ou não. Nesse contexto, ninguém quer fazer uma aposta mais direta, o que tem mantido as cotações na faixa de 1,70 real", considerou.

Em outubro, o Ministério da Fazenda instituiu a cobrança de 2 por cento de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) na entrada de capital para aplicações em ações e renda fixa. No mês passado, o governo decidiu cobrar uma alíquota de 1,5 por cento sobre operações com recibos de ações brasileiras no exterior.

Bovespa

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera o pregão em alta nesta quarta-feira, após ter fechado ontem no maior patamar dos últimos 17 meses. Depois de já ter ultrapassado os 69 mil pontos na sessão, às 16h28, o IBovespa marcava 68.613 pontos.

(Com Agências)

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