Tamanho do texto

Há cinco companhias de origem brasileira em segmento alternativo da Bolsa de Londres; caminho é abrir uma holding no exterior

Os britânicos querem elevar os negócios com empresas brasileiras na Bolsa de Londres. Por conta dessa estratégia, o prefeito da City londrina – uma espécie de embaixador do mundo dos negócios da cidade --, Lord Michael Bear, está em São Paulo para uma série de encontros com especialistas e empresários. Seu plano é “vender” a Bolsa como um mercado importante para as empresas brasileiras e juntar outras ações às cinco que hoje estão listadas no segmento de investimento alternativo (AIM).

O prefeito da City londrina, Lord Michael Bear, que está em São Paulo para atrair empresas brasileiras
Divulgação
O prefeito da City londrina, Lord Michael Bear, que está em São Paulo para atrair empresas brasileiras
Bear afirmou, em reunião na manhã de hoje no escritório Pinheiro Neto Advogados, que a Bolsa de Londres é o melhor destino para companhias brasileiras abrirem o capital. “Ela é líder mundial em empresas listadas, em emissão e negociação com recibos de ações (DRs) e em estruturação de fundos”, afirmou. “Nos últimos cinco anos, as empresas negociadas levantaram mais de 312 bilhões de libras (cerca de R$ 800 bilhões) no mercado, sendo 40 bilhões de libras por parte de companhias internacionais.”

O embaixador da City lembrou que há mais analistas de investimento de olho nas empresas da Bolsa londrina do que nas suas concorrentes de Tóquio e Nova York e que o mercado de capitais representa cerca de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do Reino Unido.

O presidente da Bolsa de Londres para as Américas, Graham Dallas, lembrou que em seu pregão há empresas de 110 países, “de diversos portes e setores”. “Somos a Bolsa mais internacionalizada do mundo”, disse. Uma das possibilidades levantadas por Dallas é a abertura de capital com oferta de ações (IPO, na sigla em inglês) no Alternative Investment Market (AIM), um segmento de listagem de mercado voltado para companhias de menor porte.

“Somos líderes globais em IPOs e continuamos a ser, mesmo após o pior da crise financeira internacional”, afirmou Dallas. Segundo ele, o segmento AIM tem 1.164 companhias listadas, com capitalização de mercado total de US$ 130 bilhões. “Não há porte mínimo requerido. A média do valor de mercado dessas companhias é de US 33,5 milhões”, calcula.

Há cinco empresas “brasileiras” com ações listadas no segmento AIM. Segundo informações do Pinheiro Neto Advogados, a primeira delas é a Serabi Mining, que lançou seus papéis no segmento de investimentos alternativos em 2005. Além dela, estão no pregão a Clean Energy Brazil (2006), a Horizonte Minerals (2006), a Itacaré Capital, e a Squarestone Brazil (2010).

Henrique Lang, sócio do Pinheiro Neto, afirma que, como a lei proíbe a abertura de capital apenas no exterior, a alternativa é a criação de uma holding em outro país que detenha a companhia brasileira, para que essa holding lance ações em Londres. “Pelo Anexo 5, uma regra criada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), as empresas brasileiras só podem acessar o mercado de ações internacional por meio de DRs”, diz.

Segundo Lang, as companhias brasileiras têm de listar suas ações primeiramente na Bolsa brasileira para poder ofertar seus papéis no exterior. “Abrir o capital apenas no mercado externo não é possível. O único jeito é abrir uma holding no exterior que controle os ativos no Brasil”, acrescenta.

Leia também:

- As 100 maiores dos EUA terão ações no Brasil até o fim do ano

- Oferta de ações da Technos Relógios pode somar R$ 673 milhões

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.