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Western Union recebeu autorização para operar diretamente no País. Chega com novos serviços e está de olho no mercado informal

É com foco no mercado informal de remessas e na população de baixa renda que a Western Union, líder mundial em envio de dinheiro, quer ampliar sua presença no Brasil. Ontem, duas notícias mostraram as movimentações da empresa para ampliar sua atuação: uma parceira com o Bradesco e uma autorização do Banco Central (BC) para atuar como banco e corretora.

Western Union quer conquistar o mercado informal de remessa de dinheiro no Brasil, diz Almeida
Divulgação
Western Union quer conquistar o mercado informal de remessa de dinheiro no Brasil, diz Almeida
Odilon Almeida, vice-presidente sênior e diretor geral para a América Latina e Caribe da Western Union, contou ao iG que o objetivo das duas tacadas é o mesmo: crescer no Brasil, país com um mercado interno e uma movimentação financeira entre fronteiras enormes.

O executivo diz que o Western Union está no país há 15 anos, numa parceria com o Banco do Brasil. Com a licença do Banco Central, poderá oferecer diretamente os serviços mundiais, como correspondente bancário, lojas próprias, transferências via internet ou por telefone. “Nos antecipamos à autorização do BC e já temos contratos com mais de 11 mil pontos de venda no Brasil.”

Uma das estratégias da empresa é crescer sobre o mercado informal de remessas. Almeida diz que as taxas cobradas por bancos nas transferências pequenas impedem que muitas operações se formalizem. “Por exemplo, os bancos cobram no mínimo US$ 50 para fazer uma operação. Se você vai mandar US$ 200 para a China, acaba não compensando.” É aí que entra a figura do doleiro, no mercado negro. Na Western Union, a mesma transferência sai por R$ 21,20, mais R$ 1,31 de IOF.

Com taxas mais baixas, a Western Union quer ocupar esse espaço. Além disso, o executivo acredita que a empresa pode ganhar boa fatia de mercado agilizando os serviços oferecidos pelos bancos. “Somos mais competitivos nesses valores menores porque, além das taxas mais baixas, também somos mais rápidos. Nossas transferências são imediatas, enquanto nos bancos podem levar até quatro dias.”

Mais dois serviços

Loja da Western Union em Nova York (EUA)
Getty Images
Loja da Western Union em Nova York (EUA)
O executivo adiantou que, com a expansão, a Western Union vai oferecer no Brasil dois produtos mundiais que acabam tendo foco na população de renda mais baixa. O primeiro é um serviço de transferência nacional de dinheiro. “Por meio dele, uma pessoa em São Paulo pode enviar dinheiro para alguém em Recife, para retirada imediata.” Nos bancos, a transferência só é possível para quem tem conta em banco, ou cerca de 50% do total.

O segundo produto é o pagamento em conta. Almeida afirma que a Western Union possui uma tecnologia operacional que facilitará a vida dos correspondentes bancários. “Na Argentina, por exemplo, oferecemos um serviço de caixa-forte, para que o lojista correspondente guarde o dinheiro enquanto espera que venham buscá-lo.”

Bradesco

O acordo com o Bradesco, segundo ele, é idêntico ao já fechado com o Banco do Brasil. Será oferecido o serviço internacional de transferência de dinheiro da Western Union, iniciado no ano passado em caráter piloto, em 4.880 agências da rede do Bradesco em todo o país. Por hora, o serviço contempla o recebimento de valores, mas, em breve, também será oferecido o serviço de envio de dinheiro ao exterior.

A Western Union é líder em serviços globais de pagamentos. Suas marcas Western Union, Vigo e Orlandi Valuta são oferecidas por meio de uma rede de 455 mil pontos de atendimento em mais de 200 países e territórios. Em 2010, a Western Union Co. realizou 214 milhões de transações cliente-a-cliente em todo o mundo, movimentando US$ 76 bilhões entre seus clientes principais e 405 milhões de pagamentos comerciais.

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