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Empresa justificou cancelamento com atual conjuntura dos mercados nacional e internacional desfavorável à realização da operação

A empresa de turismo Brasil Travel cancelou os planos de realizar uma Oferta Pública Inicial (IPO, em inglês), em decorrência da atual conjuntura dos mercados nacional e internacional desfavorável à realização da operação, segundo informou em fato relevante nesta quinta-feira.

O pedido de cancelamento do registro do IPO foi feito à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A Brasil Travel seria a primeira companhia a estrear na bolsa paulista em 2012 e colocaria fim a um jejum de mais de seis meses. O último IPO no Brasil ocorreu no final de julho de 2011, com a oferta de units da Abril Educação.

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O agravamento da crise europeia no segundo semestre do ano passado elevou a aversão a risco e fechou o mercado para captações de recursos através da venda de ações.

Ainda assim, este início de ano tem sido forte em captações de dívida por grandes companhias brasileiras no exterior, que já levantaram cerca de US$ 15 bilhões com bônus.

Na Bovespa, o saldo de estrangeiros em janeiro foi o maior já registrado desde o início do Real, em 1994, com entrada líquida de R$ 7,2 bilhões.

Quando divulgou o prospecto preliminar de seu IPO, algumas semanas atrás, a Brasil Travel previa preço por ação na faixa entre R$ 1.250 e R$ 1.650, em uma oferta primária (novas ações) e secundária (ações existentes dos atuais sócios).

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A precificação da operação deveria ter ocorrido na quarta-feira, mas foi postergada para esta quinta-feira antes da decisão pelo cancelamento. Já havia indicações de que a empresa tinha aceitado reduzir o valor da ação para R$ 1 mil, mas mesmo assim não estava atraindo investidores.

A Brasil Travel é resultado da união de 35 empresas e diz ser a maior operadora de viagens na América Latina em volume de vendas, com oferta de serviços de vendas de passagens aéreas, hospedagem em hotéis e câmbio.

Os bancos responsáveis pelo IPO da empresa eram Credit Suisse, Barclays, Flow Corretora e Banco Santander.

Na semana passada, a Seabras -unidade brasileira da norueguesa Seadrill- adiou planos de levantar até R$ 1,7 bilhão num IPO, após ter concordado com a Petrobras, sua principal cliente, em realizar algumas mudanças corporativas.