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Como consequência, país tende a manter a taxa de câmbio valorizada

O Brasil vai continuar recebendo um fluxo elevado de capital internacional nos próximos anos, o que tende a manter a taxa de câmbio valorizada no país, avalia Ilan Goldfajn, ex-diretor de Política Econômica do Banco Central e economista-chefe do Itaú Unibanco.

Segundo ele, há excesso de poupança no mundo e o Brasil enfrenta justamente a escassez de poupança. "A poupança internacional vai buscar retornos maiores e deve haver realocação para países com um bom mercado interno, como o Brasil", afirmou.

Goldfajn destacou a atração de investimentos no Brasil, tanto pelos eventos esportivos como Copa do Mundo em 2014 e Olimpíada em 2016, quanto do setor imobiliário.

Ainda assim, o economista vê a economia brasileira crescendo menos de 4% este ano, em função, principalmente, dos desdobramentos da crise internacional.

Em um cenário básico, o Itaú estima que o país cresça 3,6% em 2011 e 3,7% no ano que vem. Mantidas as condições atuais, o país encerraria o ano com juro básico de 12,5% e inflação pelo IPCA em 6,5%. As projeções consideram o mundo crescendo 3,9% neste ano.

Segundo Goldfajn, o cenário básico, no entanto, começa a migrar para um cenário mais pessimista, em função dos desdobramentos da crise de dívida na Europa e do baixo crescimento das principais economias do mundo.

Nessa visão mais pessimista, o Brasil cresceria neste ano 3,1%, com o mundo se expandindo em torno de 3,3%, e a meta da taxa Selic fecharia o ano em 12%, com inflação na casa de 6,1%. No caso de uma ruptura internacional, considerando a quebra de alguma economia europeia ou uma corrida bancária, os números seriam outros.

Isso porque a capacidade de reação das economias do mundo atualmente é muito menor do que em 2008, já que a "política monetária já está amarrada e a municação está acabando".

Nesse cenário, chamado pelo economista de ultrapessimista, o PIB brasileiro teria crescimento de apenas 0,1% neste ano, o juro cairia a 11% até dezembro, com inflação de 5,4% e crescimento mundial de 2,6%. Em relação à inflação, Goldfajn vê índices ainda acima do centro da meta de 4,5% em função dos preços de commodities ainda altos.

"Diferentemente da crise em 2008, as commodities que são mais relevantes para a inflação não estão caindo, então o alívio desses itens nos índices vai ser menor do que naquela época", disse.

O ex-diretor do BC diz que o que vai determinar a migração do cenário atual para os cenários pessimista e ultrapessimista é o desdobramento das turbulências internacionais. Para ele, os maiores riscos estão concentrados na Europa, em especial Espanha e Itália, onde há risco real de ruptura econômica.

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