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Ex-presidente do Bacen afirma que crise internacional pegou o País numa situação saudável, mas defende redução da taxa de juros

A crise econômica internacional que o mundo está atravessando neste momento foi definida por Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central, como uma “crise de desalavancagem, que corre o risco de formar uma nova desaceleração mundial e uma recessão,” o que ele considera que seria “bastante grave.” Neste cenário, Fraga afirma que o Brasil foi pego em um momento saudável, mas que agora é preciso “acelerar a trajetória boa” do País.

Agência Estado
"O Brasil está em uma encruzilhada e precisa investir muito mais e melhor", diz Arminio Fraga
“O Brasil está em uma encruzilhada e precisa investir muito mais e melhor, não só em capital físico, mas também em educação básica. O Brasil precisa também de um governo mais eficiente,” afirmou Fraga em um vídeo apresentado no 5º Congresso Internacional de Mercado Financeiro e de Capitais, organizado pela BM&F Bovespa. Ele não pode comparecer ao evento porque teve que ir a Nova York para o nascimento de sua neta.

Fraga destacou a necessidade de o Brasil criar condições para que possa reduzir sua taxa de juros, o que “seria o melhor remédio para o câmbio”. Ele avalia que o caminho mais eficiente para a política macroeconômica seria “segurar lado fiscal, deixando portanto espaço para a política monetária para que possamos chegar a uma taxa de juros mais baixa.” “Temos que ter consciência de que com taxa de juros muito alta o capital acaba vindo para cá,” acrescentou.

O ex-presidente do BC disse ainda que considera necessário reduzir o custo Brasil e afirmou “ver com bons olhos o governo da presidenta Dilma Rousseff. “O foco na meritocracia que ela deu em seu primeiro discurso foi muito bom,” afirmou, acrescentando que “tem sido muito importante a intolerância com a corrupção”.

Sobre o mercado de capitais, Fraga disse que a Bolsa de Valores brasileira vem passando pelas crises, o que dá “confiança para seguirmos com este modelo”. Nos períodos menos turbulentos, acrescentou, a bolsa tem servido como importante financiadora de capital para investimento no País. “Hoje, está muito claro para o empresário brasileiro que é possível atrair capital com uma boa governança,” afirmou.