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Em 2008, país era lanterninha do grupo. Censo da FGV mostra que indústria cresceu num ritmo de 45% de 2004 a 2009.

Petróleo abocanhou metade dos investimentos de capital privado de 2009. Acima, plataforma da Shell
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Petróleo abocanhou metade dos investimentos de capital privado de 2009. Acima, plataforma da Shell
O Brasil é o segundo mercado de maior interesse entre os BRICs (Brasil, Rússia, China e Índia) para a indústria de investimento com capital privado (private capital) e de risco (venture capital), ficando atrás da China. Em 2008, o país ficava na lanterninha do grupo, atrás também de Rússia e Índia. “O Brasil se tornou também uma oportunidade para negócios do setor em função dos investimentos públicos e privados voltados para a infraestrutura da Copa do Mundo de 2014 e Jogos Olímpicos de 2016", disse em teleconferência há pouco Cláudio Vilar Furtado, coordenador do Centro de Estudos em Private Equity e Venture Capital (GVcepe) da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV-EAESP).

Entre 2004 e 2009, a indústria brasileira de capital privado e de risco se expandiu a uma taxa de 45% ao ano. A conclusão faz parte do Segundo Censo da Indústria Brasileira de Private Equity e Venture Capital (PE/VC), divulgado nesta terça-feira e feito pela FGV-EAESP, a pedido da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). O primeiro censo trouxe números de 2006, e o segundo pesquisou 144 organizações gestoras que atuam no Brasil, das 180 existentes.

O levantamento mostra ainda que os mercados emergentes estão aquecidos e atraem a atenção dos investidores de PE/VC. Pesquisa da EMPEA (Emerging Markets Private Equity Association) de 2009 mostrou que, de 156 investidores do setor do mundo todo, 78% já iniciaram ou tem planos para realizar até 2013 investimentos em mercados emergentes. A estabilidade macroeconômica, o crescimento da classe média e a composição estrutural do PIB brasileiro foram fatores determinantes para que o Brasil se tornasse um dos alvos principais desse investimento, e o Brasil se mostra o mercado mais atrativo para investidores que irão aplicar seu capital pela primeira vez em um país emergente.

Em teleconferência, Furtado afirmou que, nos últimos anos, dessa indústria passou por uma evolução significativa, motivada pela liquidez global e pelo crescimento de indicadores econômicos. De acordo com o 2º Censo, a indústria contou com um volume de capital comprometido de US$ 36,1 bilhões em 2009 (R$ 57,7 bilhões), montante 25% maior do que o verificado em 2008. Hoje, 258 veículos de investimentos atuam no Brasil.

Ele lembra que o crescimento foi particularmente forte de 2005 a 2007, quando teve taxas de 100% ao ano. Logo após a crise financeira de 2008, o ritmo diminuiu para 15% ao ano. O setor é responsável por empregar mais de 1.500 profissionais e possui mais de 500 empresas em portfólio, embora seu capital comprometido ainda represente 2,3% do Produto Interno Bruto, (PIB) comparado à média global de 3,7%.

No final de 2004, o setor contava com 71 organizações gestoras que administravam 97 veículos de investimentos. O valor agregado dos comprometimentos dedicados ao Brasil somava então US$ 5,58 bilhões e empregava 498 profissionais.

No 2° Censo, figuram entre os gestores dos 10 maiores volumes de capital comprometido alocado ao Brasil grupos investidores nacionais e estrangeiros de países como Estados Unidos, Inglaterra, Portugal e Espanha. O perfil dos investidores do setor é variado. São fundos de pensão, empresas e instituições financeiras, escritórios que administram capitais familiares, além das próprias organizações gestoras.

Do total investido em 2009, o segmento de energia e petróleo respondeu por 54%. Foi seguido por serviços financeiros (10%), entretenimento e turismo (9%) e indústrias extrativistas (6%).

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