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SÃO PAULO - O Brasil tem que fazer sua parte para evitar os excessos na valorização cambial. A afirmação foi feita hoje pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho.

SÃO PAULO - O Brasil tem que fazer sua parte para evitar os excessos na valorização cambial. A afirmação foi feita hoje pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho. Segundo Coutinho, o fato de o Brasil estar em um momento de crescimento e atração de capitais estrangeiros tem a contrapartida do fortalecimento da moeda brasileira. Neste sentido, o governo brasileiro, na opinião do presidente do BNDES, tem que continuar utilizando os instrumentos clássicos, como a compra de reservas, para mitigar "um problema real". "Isso pode levar a uma valorização cambial durante um período muito longo, apesar da deterioração da conta corrente", afirmou Coutinho. "Eu defendo que existe uma preocupação com relação à valorização excessiva do câmbio", completou. O contexto internacional também tem colaborado para esse cenário, já que há expectativas de que os juros dos EUA continuem em baixos patamares e a moeda chinesa tende a continuar exercendo pressões sobre os países de câmbio flexível. "Muitos países estão agindo contra a valorização de suas moedas. O Brasil também tem que fazer sua parte. Se não atuarmos, vamos sofrer mais", ressaltou Coutinho. Ele disse que o BNDES, em 2009 e 2010, atuou no apoio às exportações de bens de capital e de manufaturados, prejudicados pela alta do real. "Mas a discussão por futuro caberá à transição do governo", disse. Quando questionado sobre o Relatório de Inflação do BC, divulgado ontem, no qual a autoridade monetária demonstrou preocupação com as pressões inflacionárias diante das elevações de salários e linhas de crédito no país, Coutinho enfatizou que o crédito a investimentos é benigno no longo prazo, mas concordou que, no curto prazo, pode exercer alguma pressão sobre os preços. Ele afirmou ainda que estima uma taxa de investimentos sobre o Produto Interno Bruto (PIB) de 19% neste ano, enquanto, em 2011, a taxa deverá ficar na faixa de 20,5%. "É factível chegar aos 21%, mas ainda teremos que entender como serão feitos os ajustes macroeconômicos no próximo governo", concluiu o presidente do BNDES. Coutinho participou de evento em São Paulo da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), no qual a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Sebrae assinaram convênio de R$ 48,7 milhões para disseminar a inovação nas micro e pequenas empresas. (Vanessa Dezem | Valor)

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