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Gestores dizem que chegou a vez do mercado brasileiro ser o principal destino emergente do capital estrangeiro em private equity

O Brasil será o novo queridinho dos estrangeiros que investem em private equity (tipo de investimento que compra participação em empresas). Depois de a China ter atraído bilhões de dólares, agora o mercado brasileiro de participações em empresas pequenas e médias deverá ser o principal destino dos aportes estrangeiros, na opinião de gestores.

"Estamos começando a ouvir cada vez mais invstidores dizerem que a exposição deles na Ásia já chegou ao máximo. Agora, estão tomando decisões para investir aqui," disse Duncan Littlejohn, diretor da Paul Capital Partners durante o Encontro com a Indústria de Private Equity e Venture Capital, organizado pela Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (Abvcap) nesta quarta-feira, em São Paulo.

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Carlos Eduardo Guillaume, presidente da Confrapar, tem a mesma opinião. Segundo ele, o Brasil deve ser o próximo destino pois os investidores já têm muitos aportes na China, na Rússia e na Índia. "Agora falta uma peça, que é o Brasil," diz.

Robert Linton, coordenador de relações com Investidores Internacionais da Abvcap, diz que uma pesquisa realizada pela Coller Capital mostra que, em 2011, o Brasil é o primeiro país emergente em intenções de investimentos, superando a China, que havia sido a primeira colocada no ano passado. “Isso mostra que os estrangeiros já estão confortáveis com o ecossistema de private equity brasileiro,” diz Linton.

Entre os fatores de atratividade do Brasil, está justamente o cenário macroeconômico estável, o que torna o ambiente mais “confortável” para a decisão de investimentos, diz Littlejohn. “Os investidores estão menos ansiosos com relação ao Brasil e à moeda brasileira,” afirmou o executivo.

Outro ponto positivo do Brasil é o crescimento da classe média, que é mais atrativo na comparação com China, Índia e outros países emergentes. “Os investidores estão vendo que há um novo consumidor no País, que vai levar ao crescimento interno e criar oportunidades para empresas menores,” diz Linton.

Edson Furuiti, gerente de investimentos da o banco de fomento alemão DEG no Brasil, concorda. “A América Latina, em geral, e o Brasil, em especial, devem ser foco dos investidores. No Brasil existe mais mercado interno potencial do que em outros países,” afirma o executivo.

Nos cálculos da Abvcap, os 15 principais gestores de recursos brasileiros devem captar pelo menos US$ 15 bilhões no exterior no ano que vem, para investir no mercado brasileiro de private equity. “Além do valor, é muito relevante o número de gestores dispostos em captar e a preparação deles. Acredito que esses US$ 15 bilhões podem até dobrar,” afirma Linton.

Outro aspecto que deve favorecer o mercado brasileiro de private equity é a busca de diversificação do portifolio de investimentos. “Há um movimento em andamento de diversificar os investimentos em função de toda a incerteza econômica global. Boa parte disso deverá vir para o Brasil e os demais emergentes,” afirma Nick Wollack, fundador do Axon Group.