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Em abril, governo investiu US$ 13,4 bilhões em Treasuries, quase o dobro dos US$ 7,6 bilhões aplicados pela China

O Brasil está comprando mais títulos do governo americano do que qualquer país do mundo, inclusive a China, segundo dados do Tesouro dos Estados Unidos. Em abril, o montante investido pelo governo brasileiro nos Treasuries foi de US$ 13,4 bilhões (R$ 21,4 bilhões), quase o dobro dos US$ 7,6 bilhões (R$ 12,2 bilhões) aplicados pelos chineses, os maiores credores dos americanos.

Conforme reportagem da agência Bloomberg, com as compras realizadas em abril, o País aumentou sua posição em Treasuries em 6,9%, a maior alta desde outubro de 2009. Dessa forma, o governo brasileiro atinge o recorde de US$ 207 bilhões (R$ 330,8 bilhões) em Treasuries em sua carteira.

Ao mesmo tempo em que o Brasil eleva sua posição, outros países do BRIC (Brasil, Rússia, China e Índia) reduzem a exposição aos Treasuries. Com reduções durante seis meses seguidos, o volume de títulos de dívida do governo americano em posse da China passou de US$ 1,18 trilhão em outubro de 2010 para US$ 1,15 trilhão em abril deste ano. Já a Rússia reduziu o montante de US$ 176 bilhões para US$ 125 bilhões no mesmo período.

As compras de Treasuries pelo Brasil acontecem em meio às intervenções do Banco Central para conter a forte alta do real, que já subiu 44% frente ao dólar nos últimos dois meses.

As intervenções seguem o forte fluxo de recursos estrangeiros para o Brasil, que tem juros maiores que os de países desenvolvidos, atraindo o capital externo para o mercado nacional. Os títulos de dois anos da dívida brasileira têm retorno mais de 12 pontos percentuais superior ao dos Treasuries com o mesmo prazo, por exemplo.

Com a perspectiva de continuidade da alta da Selic, aumenta a expectativa de entrada de recursos e de maior fortalecimento do real. A moeda brasileira já está 49% acima de seu valor justo, segundo o Índice Big Mac da revista The Economist, que compara preços do sanduíche do McDonald’s em todo o mundo.

Dessa forma, conforme dados do dia 10 de junho, as compras do BC no mercado de câmbio à vista para tentar conter a alta da divisa nacional somavam US$ 1,665 bilhão só neste mês, elevando as reservas internacionais do País para US$ 335,287 bilhões.

”Não há muito que se possa fazer com uma grande quantidade de dólares, a não ser comprar Treasuries”, disse Paul McNamara, da GAM Investment Management, à Bloomberg. “Apesar do Brasil estar preocupado com o enfraquecimento do dólar, o País olha para a situação com frieza - prefere pagar o preço e ter um certo nível de desenvolvimento industrial e emprego, sem se preocupar com a exposição.”

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