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Ganhos com investimentos realizados no País compõem caixa que banco está formando para pagar cerca de US$ 65 bilhões em dívidas

O Brasil, mesmo sem intenção, vai ajudar o banco de investimentos norte-americano Lehman Brothers a pagar parte de sua dívida bilionária. Os lucros obtidos com investimentos no País nos últimos anos somam US$ 1 bilhão (R$ 1,7 bilhão), dinheiro que já está no caixa da instituição para o compromisso com os credores, segundo Luis de Lucio, sócio-diretor da Alvarez & Marsal, escritório que cuida do processo de recuperação judicial do banco.

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Três anos e meio depois de o Lehman ter ficado mundialmente conhecido por ter causado o estopim da crise econômica financeira de 2008, o banco já tem em mãos US$ 40 bilhões para começar dar início aos pagamentos. O objetivo da instituição, neste primeiro momento, é quitar US$ 65 bilhões de dívidas.

“Deste total, quase US$ 1 bilhão veio de investimentos e gestão de carteiras de ativos brasileiros,” afirma Lucio. Segundo ele, os gestores aproveitaram momentos de real forte para repatriar o dinheiro que estava aplicado no País.

Lehman Brothers vai levar pelo menos dois anos para quitar dívida de US$ 65 bilhões
Getty Images
Lehman Brothers vai levar pelo menos dois anos para quitar dívida de US$ 65 bilhões

Além do capital lucrado no Brasil, também têm uma pequena participação neste bilhão o resultado de investimentos feitos na Colômbia e no México.

O Lehman afirmou na última terça-feira que começará a pagar seus credores, o que foi comemorado por John Suckow, presidente da instituição. Na última terça-feira, o banco anunciou que deixou a proteção do “Chapter 11”, como se diz Estados Unidos, o que significa a saída do processo de recuperação judicial e o início do pagamento das dívidas.

"Estamos orgulhosos de anunciar a saída do Lehman do ‘Chapter 11’ e sua entrada no estágio final deste processo, que é o pagamento aos credores," afirmou o executivo, em nota, na ocasião.

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Apesar de os US$ 65 bilhões que o banco está se dispondo a pagar corresponderem por apenas cerca de 11% do rombo do banco - de US$ 600 bilhões - significam que a instituição está dando início aos pagamentos. 

Executivos do Lehman Brothers em coletiva de imprensa para anunciar a falência, em 2008
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Executivos do Lehman Brothers em coletiva de imprensa para anunciar a falência, em 2008
"Por enquanto, os demais 89% ainda são encarados com prejuízo para os credores, mas a notícia de que o banco está deixando o "Chapter 11" é boa, porque os credores ficam sabendo que podem receber e o banco vai limpando sua situação e já pode voltar a trabalhar com seu nome," diz Ricardo Torres, professor de Finanças da BBS Business School.

De acordo com o Lehman, uma parte dos US$ 40 bilhões que a instituição já tem em caixa será entregue a credores na metade de abril deste ano. Uma outra bolada, segundo Lucio, será desembolsada pelo banco em setembro. Montantes menores serão repassados neste período, em diferentes ocasiões.

Os primeiros a receber o dinheiro devido pelo Lehman Brothers devem ser os funcionários do banco que tenham sido prejudicados. O segundo na hierarquia de credores, de acordo com Torres, é o governo, que deve receber impostos não pagos. Em seguida estão os credores de dívidas, como correntistas e detentores de títulos do banco. "Os acionistas vêm por último e, em geral, não chegam a ser contemplados," diz o professor.

Para terminar de pagar os US$ 65 bilhões o banco de investimentos levará no mínimo dois anos, estima o sócio da Alvarez & Marsal. Neste período, continuará fazendo a gestão de seus ativos para transformar em caixa os US$ 25 bilhões que ainda faltam para serem acrescentados aos US$ 40 bilhões em caixa.

A partir de agora, o Lehman não vai fazer novos negócios, apenas gerir os já realizados, segundo Lucio. “Queremos chegar a um ponto em que o que restará por gerir será pouco relevante,” diz.

Segundo o executivo, nada menos que 100 funcionários da Alvarez & Marsal participam do processo de recuperação do Lehman. Além de Suckow, que foi indicado para o comando do banco pela consultoria, os outros funcionários estão distribuídos em funções diversas, em áres de gestão de carteiras, recursos humanos e administrativas. Em 2008, o  número chegou a 350 trabalhadores. “No início, colocamos nosso pessoal no banco, no lugar de todos que foram demitidos em setembro de 2008. Aos poucos, fomos recontratando alguns para fazer parte do time,” afirmou.

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