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BM&FBovespa visita bolsas de valores e corretoras chinesas em Hong Kong, SHenzhen e Xangai para fazer parcerias e apresentar o mercado brasileiro

A BM&FBovespa está na China em busca de investidores para o mercado de ações do Brasil. Desde a última quinta-feira, uma comitiva de 45 pessoas , organizada pela bolsa de valores brasileira, está se encontrando com membros das bolsas de valores e de corretoras da China para apresentar o País, mostrar oportunidades de investimentos, explicar como funciona o mercado de capitais brasileiro e fortalecer parcerias.

Com uma população de 1,3 bilhão de habitantes e um mercado de capitais que tem cerca de 400 lançamentos de ações em bolsa ao ano, a China corresponde por menos de 0,5% dos investidores da bolsa de valores brasileira, segundo a BM&FBovespa. No total, os estrangeiros correspondem por 36%.

Edemir Pinto, presidente da BM&FBovespa, fala sobre mercado brasileiro para analistas da corretora chinesa CICC, em Shenzhen
Divulgação
Edemir Pinto, presidente da BM&FBovespa, fala sobre mercado brasileiro para analistas da corretora chinesa CICC, em Shenzhen
“Temos um conjunto de iniciativas voltadas para a China no sentido de fazer o Brasil ser mais conhecido pelos chineses, com um interesse inegável na grande poupança que a China tem,” diz Marcelo Maziero, diretor de Produtos e Clientes da BM&FBovespa, direto de Shenzhen.

Na última terça-feira, os representantes da bolsa brasileira estiveram em Shenzhen, no sul da China, e apresentaram detalhes sobre a economia brasileira e a regulação do mercado de capitais do País a um grupo formado por membros da bolsa de valores e de corretoras locais. “O Brasil ainda é um mistério para eles, então eles têm interesse em saber mais sobre nossa regulação,” afirma Maziero.

Segundo o diretor da BM&FBovespa, os chineses sabem que o mercado de ações brasileiro é menos líquido do que o chinês, mas mais saudável, por ter regras mais rigorosas, que impedem a exposição dos investidores a uma série de riscos. “Eles querem saber como são as regras no Brasil, querem ficar tranquilos em relação a isso e também aprender com a nossa experiência de maior rigidez regulatória,” afirma.

Além de buscar investidores, a BMF&Bovespa também tem o objetivo de avançar em parcerias já estabelecidas com as bolsas de Hong Kong, Shenzhen e Xangai e buscar um aprendizado com o que os três mercados de ações chineses têm de melhor.

“Eles têm muita empresas, muitos investidores e as empresas listadas vêm conseguindo sucesso. É um mercado líquido, que consegue fazer com que os investidores comprem as ações e negociem bastante. Essa experiência é riquíssima,” diz Maziero.

Globalizar

Em Hong Kong, a bolsa brasileira tem interesse especial pela tecnologia e pela internacionalização dos negócios. “Hong Kong é um mercado muito acessível a investidores de todo o mundo. Eles possuem uma experiência mais global do que a nossa. Queremos uma aproximação com eles para desenvolver esse aspecto, pois sempre fomos muito concentrados no Brasil,” diz o executivo da bolsa brasileira.

A liderança da bolsa de Hong Kong na iniciativa de lançar uma bolsa dos Brics é um exemplo da postura mais globalizada da bolsa de Hong Kong. No início de outubro, o presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto, anunciou a participação do Brasil no projeto, que foi liderado pelos chineses. “Eles foram os catalisadores e nós pretendemos nos relacionar mais de perto,” diz Maziero.

Ainda neste ano, representantes das bolsas de Brasil, Hong Kong, África do Sul, Índia e Rússia planejam se encontrar em solo russo para avançar com o projeto, segundo o diretor da BM&FBovespa.

Em troca do aprendizado na internacionalização da bolsa, o Brasil tem a oferecer à Hong Kong a experiência em uma atuação diversificada no mercado. “Eles negociam basicamente ações, enquanto operamos derivativos, renda fixa, juros, câmbio e commodities. Mostramos para eles que podemos contribuir com nossa característica de ser multiprodutos e multimercados,” diz Maziero.

Veja também: 'Bolsas dos Brics' permitirá dupla listagem, diz BM&FBovespa

Tecnologia

Em Shenzhen, além de apresentar o país aos participantes dos mercados de capitais, a bolsa brasileira tinha a intenção de estreitar relações com a bolsa local – com a qual assinou um memorando de entendimentos em agosto – e conhecer experiências inovadoras de operação.

“Vamos falar com uma grande corretora chamada Guofen, que é uma das cinco maiores da China e possui uma tecnologia para operar ações pelo celular,” diz Maziero.

IPO

A expertise da bolsa de Shenzhen em lançamentos de ações de empresas médias também chama a atenção da bolsa de valores brasileiras. “Eles tiveram cerca de 300 IPOs (sigla em inglês para oferta pública inicial de ações) no ano,” comenta Maziero.

Em Xangai, o grupo brasileiro – que tem também representantes de empresas como Cemig, MRV, EBX e Tereos, corretoras, gestoras de recursos e bancos, como Santander e Banco do Brasil - pretende unir os participantes dos mercados de capitais para aumentar a familiaridade entre os dois lados.

Na quinta-feira, acontece em Xangai a segunda edição do Fórum de Mercado de Capitais Brasil-China. A primeira aconteceu em São Paulo, em fevereiro deste ano.

“Não temos nada de concreto a anunciar nesta momento, será um encontro de um dia simplesmente para nos conhecermos melhor. Acredito que conseguiremos avançar em questões como a dupla listagem de ações daqui a um tempo,” diz Maziero.

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