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Bolsa iniciou nesta terça-feira negociação do primeiro lote de dez empresas norte-americanas negociadas

A BM&FBovespa espera ter cem ações de empresas estrangeiras negociadas até o final do ano que vem, disse nesta terça-feira a diretora executiva de Produtos da BM&FBovespa, Marta Alves. Segundo ela, outro lote de dez ações será lançado ainda este ano e os demais oitenta papéis ao longo de 2011. A executiva da Bolsa fez o anúncio após o lançamento do primeiro grupo de papéis norte-americanos na Bovespa.

Ela não deu detalhes sobre as ações a serem lançados em 2011, mas sobre o próximo lote, já se sabe que terá como banco depositário o Citibank, que venceu licitação no semestre passado.

"Esse processo já está na CVM, protocolado pelo Citibank e estamos na expectativa de até o final do ano ter a aprovação desse novo lote de dez ações e o lançamento das negociações", afirmou Edemir Pinto, presidente da BM&FBovespa. Ele ressalta, no entanto, que o início dos negócios depende da programação da divulgação da operação. “Se eventualmente demorar um pouco mais para sair a aprovação, será complicado divulgar no final do ano e pode ser que tenhamos que esperar a virada do ano”, afirmou.

As empresas vão compor os próximos lotes serão definidas pelos bancos depositários, acrescentou Marta. "Assim que tivermos as listas, vamos divulgar", afirmou.

Nesta terça-feira, ações de dez grandes empresas norte-americanas, entre elas Google, Apple, Avon e Walmart, começam a ser transacionadas  na bolsa brasileira. Assim, investidores brasileiros podem ter participação nas companhias listadas nas bolsas dos EUA por meio dos novos papéis, que são os chamados Brazilian Depositary Receipts (BDRs).

Os BDRs não são exatamente ações, mas sim certificados de ações de empresas listadas em bolsas fora do País. No caso dos papéis que começam a ser negociados na bolsa brasileira nesta terça, são BDRs Nível I Não Patrocinados, o que significa que as empresas não se envolvem com o lançamento dos certificados, o que será de total responsabilidade do banco depositário, o Deustche Bank.

Segundo Edemir Pinto, os novos papéis devem contribuir para os planos da Bolsa de se tornar líder regional na América do Sul. “Os BDRs já eram parte de nosso projeto de consolidação internacional da nossa Bolsa. Não há dúvidas de que vão ajudar, serão uma nova alternativa de negociação", afirma. O presidente da bolsa lembrou que essa modalidade de certificados já é negociada em outras bolsas da região e disse que pretende atrair negócios de outras bolsas para a Bovespa.

"Nas outras bolsas, os papéis são negociados, mas sem a liquidez necessária. Com o nosso mercado e a nossa visibiliadde, eu acho que a gente deve atrair esses produtos para cá", afirmou. Na última semana, as Bolsas do Peru, Colômbia e Chile se uniram e ultrapassaram a Bovespa em número de empresas listadas.

Pinto destacou que o lançamento dos dez BDRs Nível 1 Não Patrocinados, nesta terça-feira, representa a inauguração do segmento “mercado internacional” na Bolsa. “A partir de hoje, os investidores brasileiros poderão ser sócios de empresas grandes norte-americanas, como Apple, Google, Wal-Mart, entre outras.” Ele acrescentou que isso representa uma importante alternativa de diversificação para investidores e gestores de fundos.

Ele diz que foram necessários cinco anos para que os BDRs fossem desenvolvidos. “Neste processo, contamos com o apoio do Deutsche Bank, que demonstrou muita confiança no nosso mercado.”

Para Bernardo Parnes, presidente do Deutsche Bank Brasil, o lançamento dos BDRs acontece em um momento propício. Segundo ele, o mercado brasileiro de capitais vem mostrando um grande grau de preparo e muitas conquistas nos últimos anos.

Volume

Os executivos do Deutsche BanK e da Bovespa não divulgaram suas expectativas para volume médio diário negociado pelos BDRs lançados nesta terça-feira, mas cmoentaram que os certificados semelhantes lançados em outros países latino-americanos têm representação significativa nas bolsas. Segundo Parnes, no México os BDRs não patrocinados correspondem a 15% do volume dos negócios, enquanto na Argentina respondem por 18%.

Segundo Edemir Pinto, a expectativa da Bolsa não é de que os BDRs "explodam" nos primeiros meses. "O que é importante é que este é um produto que vai amadurecendo ao longo do tempo", afirmou.

Os BDRs Nível I Não Patrocinados lançados nesta terça-feira na Bovespa são das seguintes companhias: Google, McDonald’s, Apple, Bank of America, Walmart, Arcelor Mital, Avon, Exxon Mobil, Goldman Sachs e Pfizer.


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